Parentes de políticos serão a ‘novidade’ da Alerj

Com baixa renovação, parte das 70 cadeiras da Assembleia deve ser ocupada por familiares de ex-deputados e de prefeitos

Por O Dia

Rio - As grandes manifestações de rua de junho do ano passado reivindicavam mudanças na forma de se fazer política. Mas a projeção para os prováveis eleitos da Assembleia Legislativa aponta um cenário nem tão inovador. É o que mostra o estudo do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS), coordenado pelo cientista político Geraldo Tadeu Moreira.

Menos da metade das 70 cadeiras da Alerj deve ser ocupada por deputados em seu primeiro mandato. E, mesmo assim, os novatos não representam necessariamente renovação. Na lista dos ‘calouros’ bons de voto, doze são parentes de ex-deputados da casa ou de prefeitos em exercício.

Em busca da reeleição%2C Wagner Montes deve ser campeão de votosCarlo Wrede / Agência O Dia

A lista traz ainda como candidatos três ex-prefeitos de municípios do Norte Fluminense. “É um grande paradoxo. Nas manifestações de junho, todo o mundo falou em renovação. Na verdade, a taxa de renovação é muito mais baixa do que a média de anos anteriores. Aquela onda das manifestações já virou marola”, disse Geraldo Tadeu.

Entre os que tentam ‘herdar’ uma vaga na Alerj está Renato Cozzolino (PR). Ele é filho da ex-deputada Jane Cozzolino (PR), cassada pela Alerj em 2008, e primo de Núbia Cozzolino, ex-prefeita de Magé cassada em 2010 e que só poderá voltar a se candidatar em 2015.

Elton Babú, do PT, busca melhorar a imagem da família na política depois que seu irmão e ex-deputado, Jorge Babú, foi parar nas páginas de polícia, acusado de chefiar grupo de milicianos na Zona Oeste. Babú, o primogênito da família na Alerj, foi expulso do PT em 2009.

A lista dos mais cotados para assumir uma vaga traz ainda Márcia Jeovani (PR), mulher de Miguel Jeovani (PR), prefeito de Araruama que chegou a ser afastado do cargo sob suspeita de fraudar uma licitação para a compra de merenda em 55 escolas da cidade.

Outro candidato interessado em prestar seus serviços à Alerj é Ana Paula Rechuan, casada com José Rechuan, prefeito de Resende. Em julho, ele teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por suposto favorecimento da imprensa local nas eleições municipais.

O peemedebista Leonardo Picciani, que aparece na pesquisa de intenção de votos do IBPS entre os primeiros do PMDB, é filho do ex-deputado estadual Jorge Picciani, que já presidiu a casa e é cotado para voltar em 2015.

Para Geraldo Tadeu Moreira, parentes de políticos levam vantagem na corrida eleitoral. “Esses caciques são muito compentees para se reproduzir politicamente. Conhecem o caminho estratégico para se manter no poder. São boas estruturas de campanha, acordos políticos e negociações.”

O apresentador Wagner Montes (PSD), que busca a reeleição, lidera o número de citações e deve ter cerca de 350 mil votos. Entre os dez mais lembrados no estudo, apenas um candidato busca pela primeira vez uma vaga na Alerj: Tia Ju, do PRB.

O levantamento do IBPS, que foi feito em 60 cidades do estado e ouviu cinco mil eleitores, está disponível no site do DIA (odia.ig.com.br).

Clarissa, a mais votada

O IBPS fez também a análise dos prováveis deputados federais que vão compor a bancada fluminense em Brasília. A mais citada foi Clarissa Garotinho, do PR, que deve ter meio milhão de votos.

Na segunda posição, aparece Jair Bolsonaro (PP), que deve atrair 340 mil votos. O peemedebista Leonardo Picciani terá em torno de 300 mil.

A coligação formada pelos partidos PMDB, PP, PSC, PSD, PTB deve conquistar 16 cadeiras. Em seguida, vem a coligação formada pela união das siglas PT, PC do B e PSB, com sete eleitos.



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