Por thiago.antunes

Rio - Filas nas seções de votação, trânsito lento e muita sujeira nas ruas. O dia cívico também causou transtornos para milhares de eleitores que foram às urnas neste domingo. As ruas do Rio, Baixada e Niterói foram tomadas por milhares de panfletos de candidatos, que insistiram em fazer propaganda apesar da fiscalização. Crianças chegaram a brincar com os papéis jogados no chão, que em muitos lugares cobriram completamente o asfalto.

“E o programa Lixo Zero, hoje não tem? Se você jogar um papelzinho no chão, é multado, mas os políticos podem, né?”, criticou o motorista José Carlos Damaceno, de 52 anos, que votou no Colégio Estadual Tim Lopes, no Complexo do Alemão. Em Realengo, muito lixo se acumulou em frente à Escola Tasso da Silveira, local de votação. A dona de casa Elza dos Santos, 51, reclamou. “Esse pessoal está sujando o bairro todo. Eles não distribuem os ‘santinhos’, jogam para o alto e deixam cair no chão”, disse.

Na Rocinha%2C além do lixo%2C eleitor enfrentou filas que duraram até duas horas e subiam pelas passarelas Cacau Fernandes / Agência O Dia

Na Rocinha, o problema foi a longa espera para votar. Muitas pessoas ficaram até duas horas para exercer a cidadania, numa fila que subiu a passarela da comunidade. Cerca de seis mil pessoas votam nas 14 seções do Ciep Ayrton Senna, entre eles, o gerente de bar Antônio Alves de Brito, que ficou das 8h30 até 10h25 na fila. “Vou chegar atrasado no meu trabalho por causa dessa fila. Eu só voto porque sou obrigado”, reclamou.

Mas, em meio a inúmeros maus exemplos, o estudante Mateus Lima Miranda, 18 anos, que sofre de paralisia infantil, chamou a atenção pela força de vontade empenhada para decidir pelo futuro do país. O rapaz superou as limitações físicas e foi, com a ajuda do amigo Alberto Campos da Costa, 66, até sua seção eleitoral no Colégio Olga Benário Prestes, em Ramos. “Tive um pouco de dificuldade para subir as escadas, mas não tem problema. Fiz questão de vir porque eu acredito que o Brasil pode mudar”, afirmou o jovem.

E se a votação é a festa da democracia, por que não comemorar? Milhares de cariocas aproveitaram o dia de ir às urnas para programas típicos de um domingão, como rever os amigos e colocar os assuntos em dia. Morador de Vila Isabel há anos, o administrador de empresas Pedro Joaquim Filho, 53, não abre mão de ir votar em Irajá, vizinho ao bairro Vaz Lobo, onde viveu boa parte de sua infância. “A gente mata a saudade, toma uma cerveja e comemora. O dever cívico é um motivo a mais para reencontrar os amigos e parentes”, disse.

Oportunidade para trabalhar

Houve quem aproveitasse a eleição para faturar uma grana extra. Tradição há mais de 50 anos em Queimados, as charretes foram o meio de transporte mais utilizado pelos eleitores. O charreteiro Aldair da Silva, 38, disse ter feito mais de 20 viagens neste domingo.

Já para o ambulante Marco Antônio Pereira, o dia foi de trabalho. Há 25 anos com uma barraquinha de doces em Realengo, ele aproveitou a votação para aumentar o orçamento da família. “Tem muita gente que vem de longe, então sempre dá pra ganhar um trocado a mais vendendo lanches e bebidas”, contou Marcos.

Você pode gostar