Por felipe.martins

Rio - O grito de milhões de brasileiros que saíram às ruas em junho de 2013 pedir entre outras coisas novas caras na política parece ter sido abafado nas urnas. Na lista dos deputados federais mais votados no país aparecem velhas figuras. O Senado também não ficou atrás em termos de renovação, com o retorno do ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), a eleição de José Serra (PSDB-SP) e a estreia na Casa do ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO).

A relação dos campeões da Câmara é liderada pelo apresentador de TV e radialista Celso Russomanno (PRB), com mais de 1,5 milhão de votos, seguido do palhaço Tiririca (PR), cerca de 1,09 milhão, e do pastor evangélico Marco Feliciano (PSC), 397 mil, em São Paulo.

Aliás, sobre Feliciano, ele bem que avisou. Após ver o seu polêmico projeto de lei conhecido como cura gay ser engavetado pelo Congresso, em 2013, por pressão das ruas, o deputado-pastor afirmou que apresentaria outra vez a proposta quando fosse reeleito. Agora, de volta à Casa, Feliciano terá apoio de peso de outro deputado marcado também por declarações homofóbicas e que foi o mais votado no Estado do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro (PP), que recebeu ontem 464.572 votos.

A Câmara poderá ter ainda o reforço de outra velha raposa da política. O deputado Paulo Maluf, (PP-SP) impugnado pela Justiça Eleitoral, acusado de improbidade administrativa por obra em túnel, surpreendentemente figurava na lista dos top dez, com 250 mil votos.

No Senado, além da troca de Eduardo Suplicy (PT) por Serra (PSDB), figurinhas carimbadas, o destaque foi para a votação maciça do senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB), com 631 mil, e o caminhão de votos dados ao fervoroso defensor no Congresso dos ruralistas Ronaldo Caiado, 1.283.665 votos. Com os velhos personagens, o desejo das ruas por nova política vai ficar adiado.

Você pode gostar