Por thiago.antunes

Rio - Passado o oba-oba pós-primeiro turno, a corrida é para oficializar alianças. Sozinho até agora, o senador Marcelo Crivella (PRB) passou o dia desta terça articulando para consolidar as adesões do Psol, da Rede, do PT, do PC do B e do PSB. Só obteve sucesso com o PR, de Anthony Garotinho. Já com Luiz Fernando Pezão (PMDB) fecharão o Pros e o PDT.

Do PT fluminense, Crivella conseguiu o apoio de parte da direção partidária e do senador Lindberg Farias, derrotado na disputa ao governo do estado. Mas não ficou com o partido. Com medo de melindrar o PMDB, a direção nacional optou pela ‘neutralidade’, liberando a militância a votar em qualquer dos dois, conforme adiantou o ‘Informe do DIA’.

À noite, em reunião em Brasília, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, autorizou que Washington Quaquá, presidente da seção Rio, e Lindberg “entrem de cabeça” na campanha de Crivella. (Leia abaixo).
Partidos coligados ao PT, como o PV, não decidiram quem apoiar. Deixaram para hoje as discussões a partir das quais definirão apoio. O partido está dividido entre Pezão e Crivella.

Psol e Rede, grupo de Marina Silva, devem anunciar até esta quinta se optarão por Crivella ou pelo voto nulo. “Não há possibilidade de votar em Pezão”, afirmou Chico Alencar, do Psol. O partido discutirá, a partir de pautas como a garantia de direitos a LGBTs, se o senador do PRB terá seu apoio. Na Rede, há veto a Pezão e a dúvida é a mesma, sobre apoiar Crivella.

No PSB, de Romário, a tendência no Rio é para a “impossibilidade” de reeleger o candidato do PMDB, mas a decisão só será tomada amanhã também. “Não há possibilidade de apoiar o Pezão pelo esquema político montado pelo Cabral, mas só vamos decidir oficialmente após nos reunirmos”, despistou Vivaldo Barbosa, vice-presidente da legenda. O PC do B só resolver na segunda-feira. Segundo seu presidente no Rio, João Batista Lemos, não há veto a Pezão. Até o fechamento ontem à noite a reunião não havia terminado.

Licença de cargo para ajudar PRB - Washington Quaquá, prefeito de Maricá

Uma guinada à esquerda, quer o presidente da seção Rio do PT, Washington Quaquá, prefeito de Maricá. Para isso, diz ele, é preciso romper de vez com o PMDB. Ao lado de Lindberg, ele anuncia hoje que se licenciará da prefeitura para se dedicar à campanha de Crivella.

Quaquá quer Crivella para romper com o PMDB%2C partido de ricosDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

1. Por que apoiar Marcelo Crivella?

Por dois motivos. Para romper com os 16 anos do PMDB no Rio, dirigidos integralmente aos ricos; e porque vai ajudar o governo Dilma a se livrar das amarras que a impedem de governar plenamente e atender ainda mais as demandas do povo.

2. Não teme represália do PT nacional?

Fizemos um acordo. Nossa ideia era formalizar oficialmente a campanha. Não deu. Mas o PT nacional nos liberou a apoiar o Crivella e liberar a militância.

3. E como essa parte do PT vai participar?

Vamos ajudar no programa de governo, na preparação de agendas e na gravação de programas de televisão.

4. Além de você e Lindberg, haverá outras adesões do PT ao Crivella?

Vou começar a ligar hoje (ontem) para confirmar a participação de alguns deputados. Eu diria que 80% da militância do Rio vão se engajar na campanha.

5. Você é o presidente do PT. Se Pezão ganhar, e o PT compor o governo dele, não vai parecer incoerência ao eleitor?

O PT vai apoiar Crivella, e ele será vencedor. Além disso, o PT não faz mais parte do governo do PMDB no Rio. Terminada a eleição, vamos rediscutir o estado. É possível que haja inclusive aproximação com o Psol. O Marcelo Freixo já declarou apoio à Dilma. Politicamente, é bom que o Psol tenha saído do isolamento e tenhamos deixado a costela do PMDB.

Prefeito petista apoia Pezão - Tarciso Pessoa, prefeito de Paracambi

Tarciso Pessoa é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), em Paracambi, município da Baixada Fluminense, do qual é prefeito há seis anos. Foi um dos que incentivou o racha dentro do partido ao não aceitar a candidatura do petista Lindberg Farias ao governo do estado. Amigo de longa data do candidato do PMDB, apoia o governador Luiz Fernando Pezão desde o primeiro turno eleitoral.

Tarciso diz que o governador ‘ajudou muito’ ParacambiDivulgação

1. Por que o apoio ao Pezão?

Porque o governador Luiz Fernando Pezão é um político que pensa no interior do estado. Na verdade, eu estou olhando para um candidato que quer o melhor para o Rio de Janeiro como um todo. E este candidato é o Pezão.

2. Que qualidades o senhor vê no governador Pezão para ele merecer seu apoio?

Antes de mais nada, ele já foi prefeito e trabalhamos juntos. Ajudou muito a minha cidade, Paracambi. Ele acabou com o lixão que existia aqui e deu bastante força para o nosso condomínio industrial. Paracambi hoje é uma outra cidade e devemos muito ao apoio do governo Cabral e Pezão.

3. Por que esse racha no PT?

Não é bem um racha. O que acontece é que o PT, às vezes, não segue uma linha. Nesta quarta-feira, eles vão anunciar que os apoios estão liberados e eu posso afirmar que a grande maioria dos prefeitos do meu partido aqui no estado do Rio vai apoiar a candidatura do Pezão. Assim como os deputados. Já que liberou, é opção de cada um agora.

4.Dilma ou Aezão?

Eu sou Dilma, sem dúvida nenhuma. Fizemos campanha para ela aqui em Paracambi no primeiro turno e vamos continuar fazendo.

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