Pezão e Crivella protagonizam debate morno e sem surpresas quanto a propostas

Candidato do PRB despeja críticas contra o governo atual e peemedebista assume estratégia de ataques à Universal

Por O Dia

Rio - Os candidatos ao Palácio Guanabara, Marcelo Crivella (PRB) e Luiz Fernando Pezão (PMDB), protagonizaram um debate morno na noite desta quinta-feira, com despejo de críticas ao governo atual feitas pelo postulante do PRB e sucessivas e necessárias defesas do atual governador. Realizado pela Band, o encontro teve momentos constrangedores quando Pezão isinuou que campanha de Crivella ocultava a Igreja Universal e candidato do PRB, aparentando mais serenidade que o governador, aproveitou para ser incisivo nas críticas ao governo.

"O bispo Edir Macedo vai conduzir os programas sociais no estado?", disparou Pezão. Irônico, Crivella cruzou as mãos e respondeu: "Pezão... Pezão... Você foi tão cordial com o bispo Macedo quando esteve comigo na inauguração do Templo de Salomão, ele (Edir Macedo) até te abraçou. Conversa com os seus marketeiros porque essa estratégia não vai dar certo". Claramente incomodado com a retomada de associação dele a questões religiosas, Crivella arrancou palmas - mesmo que proibidas pelas regras do debate - quando devolveu para Pezão com uma frase de efeito: "O problema não é misturar política com religião, o problema é política com corrupção".

Em outro momento em que aparentava mais nervosismo que o candidato do PRB, Pezão quase chama Crivella de governador. Nas considerações finais, Crivella provocou e agradeceu ter o título conferido antecipadamente e, mais uma vez irônico, disse esperar o peemedebista na cerimônia de posse. Pezão não deixou barato e em última fala aproveitou para dizer que estava chamando Crivella de governador da Universal.

Pezão e Crivella debateram na Rede Bandeirantes Ernesto Carriço / Agência O Dia

Temas como segurança pública, saúde e transporte dominaram o âmbito do debate e candidatos apresentaram diferentes propostas em praticamente todos os pontos. O candidato-governador respondeu que, se reeleito, tomaria como primeira medida a revitalização da Santa Casa de Misericórdia a partir de parceria com a Universidade Estácio de Sá, transformando-a num hospital escola. À mesma pergunta, Crivella foi mais genérico e disse que reogarnizaria a saúde e apresentou dados, falando em uma lista de espera para cirurgia de 20 mil pessoas.

Dando seguimento, Pezão citou programas elaborados para o interior do estado do Rio e perguntou a Crivella o que ele faria para a região, caso fosse eleito. O candidato do PRB defendeu que fosse aprimorado o escoamento da produção do interior e clamou por maior presença do governo na produção agrícola. Na tréplica, Pezão disse que governo peemedebista "valorizou o campo como nunca foi feito". Em resposta, Crivella considerou que governador falhou e atribuiu responsabilidade de negligência com o campo não só a esta, mas a outras administrações passadas.

Abrindo outro bloco de perguntas, Crivella questiona "Por que tantos incentivos ao transporte rodoviário?" e Pezão rebate citando dados e rasgando elogios ao programa Bilhete Único. Atual governador  aproveitou e não deixou de fora os usuais ataques a Garotinho e Rosinha, casal que governou o Rio antes de Sérgio Cabral. Crivella põe o pé na frente e diz: "esse discurso 'nós vamos' é meu, Pezão. Você tem que dizer o que vocês fizeram". Na tréplica, Pezão defende que governo obteve avanços e disse que continuará a investir em BRTs.

A concessionária de trens SuperVia também foi alvo de críticas de eleitores que enviaram perguntas ao programa. Pezão defendeu a concessionária prometendo renovação da frota e disse que estações serão recuperadas. O governador falou também em renovação da linha férrea. O senador e adversário não perdoa e bate em refrão: "Quem não fez quando podia, não fará quando puder". O candidato do PRB falou em mergulhões para os trens e disse considerar que transportes de massa foram abandonados. Incessante nas críticas, Crivella ataca um dos carros chefes de Pezão e é duro ao falar sobre a administração da Fetranspor do Bilhete Único. Segundo ele, o Rio é o único lugar do Brasil em que isso ocorre.

Segurança pública

Candidato-governador evita resposta à pergunta enviada à produção do programa sobre necessidade de policiamento militar e destaca investimentos no aumento de efetivo policial. Pezão associa violência a administrações anteriores e defende discussão e investimentos em segurança pública. Crivella preferiu focar em denúncias e disse que a cúpula da Polícia está envolvida todo dia em escândalos. Candidato do PRB repetiu que os bons exemplos não estão vindo de cima.

Em outra pergunta sobre segurança: morte de PMs, o candidato do PRB disse considerar que "não há resposta simples" para o assunto e fez promessas de combate à impunidade e falou em rastreamento de balas. Pezão preferiu se dirigir às famílias dos agentes e disse que "defensores dos Direitos Humanos não se solidarizam com policiais mortos".

As comentadas Organizações Sociais (OSs) também entraram na pauta e Crivella falou em auditoria. Segundo ele, metade do orçamento do estado é gasto com OSs. "O Estado não pode prescindir com carreiras nas áreas de saúde". Governador, no entanto, saiu em defesa de OSs e expôs números de instituições de saúde considerados positivos. O peemedebista disse que fará concurso público onde for necessário.

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