Partidos da base de Garotinho aderem a Pezão

Com PT do B e Pros, coligação chega a 21 legendas. Rede agora aguarda a definição de Marina Silva

Por O Dia

Rio - A coligação que não conseguiu levar Anthony Garotinho (PR) ao segundo turno das eleições para o governo do estado se esfacelou, e migrou para a base aliada de Luiz Fernando Pezão (PMDB). Embora o PR tenha aderido à candidatura de Marcelo Crivella (PRB), os outros partidos que apoiaram Garotinho no pleito — o PT do B e o Pros — já declararam apoio ao atual governador neste segundo turno. Com estas novas legendas, a coligação do PMDB chegará a 21 partidos. Na quarta-feira,Pezão já havia oficializado o apoio de nove dos 10 prefeitos do PT. Mas o candidato petista ao governo, Lindberg Farias, se uniu a Crivella.

Em evento realizado nesta quinta-feira, Pezão comemorou a adesão de “90% dos parlamentares do PT do B” a sua candidatura. Segundo membros do partido, o apoio a Garotinho no primeiro turno foi decidido pela presidência da legenda, à revelia dos membros. Nestas eleições, o PT do B elegeu apenas um deputado estadual, Marcos Abrahão, que não esteve presente.

Pezão comemorou o apoio de “90% dos parlamentares do PT do B” e agora aguarda resposta de RomárioFabio Gonçalves / Agência O Dia

Segundo Pezão, o PDT também deverá oficializar o apoio a sua candidatura em breve. Na segunda-feira, será realizado o ato de adesão do Pros ao PMDB. No encontro estará apenas Hugo Leal, um dos dois deputados federais eleitos pela legenda, que também é presidente do partido.

Miro Teixeira indicou que ainda aguarda a posição da Rede Sustentabilidade. O partido, fundado por Marina Silva, não obteve o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas reúne, no Rio, nomes como Jefferson Moura, eleito vereador pelo Psol, e Alfredo Sirkis, ex-deputado federal pelo PV. A decisão sobre qual candidato apoiar deverá ser “coerente” com a opção que o partido fará em nível nacional. O grupo aguarda a definição de Marina Silva sobre o apoio a Aécio Neves, candidato à Presidência do PSDB.

Miro indica que irá propor uma reunião para os próximos dias. “Se Marina optar por Aécio nós iremos fechar com o Pezão, já que Dilma (Rousseff, PT) é muito ligada com o Crivella “, explicou ele, que garantiu “não haver restrição” em apoiar qualquer um dos postulantes ao Palácio Guanabara.

Pezão também confirmou que já pediu apoio para Romário, senador recém-eleito pelo PSB. Durante o primeiro turno, o PSB esteve na coligação do PT, e Romário chegou a fazer agendas de campanha com Lindberg. “A expectativa é positiva, agora só depende dele”, disse Pezão.

Governador faz elogios a médicos cubanos

A agenda de campanha de Pezão na Baixada foi, na verdade, um encontro com moradores, com o intuito de fazer uma gravação para o programa eleitoral do candidato na TV. No encontro, Pezão ouviu agradecimentos pela implantação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Comendador Soares, mas também muitas críticas relativas ao funcionamento da unidade, como a falta de médicos especializados e a inexistência de exames laboratoriais e de imagem.

Ao lado do prefeito de Nova Iguaçu e aliado Nelson Bornier, um dos artífices do apoio da ala majoritária do PMDB ao candidato a presidente Aécio Neves, Pezão elogiou o programa Mais Médicos, do governo Dilma, que trouxe estrangeiros, entre eles cubanos, para trabalhar no interior do país.

“Contratar médicos é uma coisa complicada,tanto que estão vindo até médicos cubanos para cá. Mas vamos resolver esse problema”, prometeu. Bornier não se pronunciou acerca da disputa presidencial, preferindo tripudiar sobre a derrota do desafeto Lindberg Farias até em Nova Iguaçu. “Ele mentiu o tempo todo e o povo respondeu. Ficou em terceiro aqui”, riu.


Segurança volta à tona na campanha

Os escândalos na Secretaria de Segurança Pública do Rio voltaram a dar o tom da campanha do governador e candidato à reeleição Luiz Fernando Pezão. Em vez de propostas e embates com seu adversário Marcelo Crivella, Pezão teve de responder sobre a prisão de 16 policiais militares e constantes tiroteios em comunidades pacificadas.

“É o tráfico sempre no período eleitoral testando a nossa política de segurança pública. Ainda mais com candidatos, meus adversários, que alimentam criar batalhão social, parar com as UPPs... Isso é um recado muito claro para o tráfico de drogas”, disse Pezão, referindo-se ao ex-governador Anthony Garotinho, autor do projeto dos batalhões sociais, derrotado no primeiro turno.

O governador voltou a dizer que a segurança pública será a prioridade de seu segundo mandato, caso seja reeleito no dia 26. “Vamos reforçar o efetivo em qualquer área que haja confronto. Não é com poesia, com rosas que se enfrenta o tráfico de drogas”, disse Pezão.

Em relação à prisão dos PMs, incluindo o comandante do 17º Batalhão (Ilha do Governador), realizada ontem pela manhã, ele fez um autoelogio à sua gestão. “A gente corta na própria carne. Sempre falei que não tem calendário eleitoral. As pessoas antigamente colocavam esses problemas para debaixo do tapete, pois poderia influenciar em algum resultado eleitoral. Nós não compactuamos com isso, nem com o tráfico, nem com a milícia, muito menos com o policial que comete desvio”, disse o governador.

Animado com o resultado do primeiro turno e com as perspectivas para a segunda etapa da eleição, o governador mandou um recado para Crivella, com quem trocou alfinetadas no debate realizado na última quarta-feira, na sede da OAB.

O governador chamou o adversário de “Crivellinho”, uma referência à aliança de Crivella com Anthony Garotinho, e foi chamado de “Penóquio” pelo senador, que seria a mistura de Pezão com o personagem Pinóquio.

“No primeiro turno, fiquei apanhando dos quatro, pois não dá para ficar brigando com quatro, apesar de eu ser forte e grande (risos). Agora, se ele vier de brincadeira naquele estilo que lhe é peculiar, vai ter o troco”, avisou Pezão.

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