Depoimentos de delatores vão para a CPI

Aécio se diz ‘estarrecido’, e presidenta denuncia ‘golpe ’ na divulgação às vésperas das eleições

Por O Dia

Rio - Os depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, na quarta-feira para a Justiça Federal do Paraná, vão ser liberados para a CPI mista da Petrobras. A decisão é do juiz Sérgio Moro, relator nos processos da operação Lava Jato que apura os desvios de dinheiro nos contratos da Petrobras.

No Rio ontem, o candidato Aécio Neves (PSDB) criticou a reação de Dilma Rousseff (PT) à divulgação dos depoimentos. “Ela está indignada com os vazamentos, e não com os depoimentos”, afirmou o tucano. “Assaltaram a maior empresa do país nas barbas do povo e não há sequer uma indignação da presidente”, atacou.

Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB)Divulgação / Agência Brasil

Aécio disse que, se eleito vai a fundo nas investigações. “As denúncias que fizemos no Congresso em relação aos desvios da Petrobras tinham como base uma série de fatos que nos chegavam. Por isso, lutamos por uma CPI. Agora, vemos o tesoureiro do PT, que sustenta a estrutura partidária, acusado de receber esses recursos desviados da corrupção. O que posso dizer é que, se eleito presidente, nós vamos a fundo nessas investigações. Nós vamos estimular todos os órgãos que já cumprem o seu dever constitucional para que as investigações possam ir no limite do que seja necessário. E absolutamente todos os responsáveis possam ser processados, e os culpados exemplarmente punidos”, declarou.

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, classificou como “golpe” o uso eleitoral dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. “Agora, na véspera eleitoral, eles querem dar um golpe. Estão dando um golpe. Com esse golpe nós não vamos concordar”, discursou a presidenta em campanha em Canoas (RS).

Mais cedo, a candidata deu entrevista no Palácio da Alvorada e chamou a divulgação dos depoimentos de “leviana”. “Acho muito estranho e muito estarrecedor que, no meio da campanha eleitoral, façam esse tipo de divulgação. Eu acredito que haja de fato o interesse real, legítimo e concreto de punir corruptos e corruptores. Agora, que não se use isso de forma leviana em períodos eleitorais e de forma incompleta, porque nós não temos acesso a todas as informações”, afirmou Dilma.

A presidenta disse que essa manipulação pode estar por trás dos interesses de atrapalhar sua reeleição, mas prometeu “lutar com unhas e dentes”. “Não sei se não é esse o interesse de alguns. Lutarei com unhas e dentes para que o que não seja justo não ocorra. Na minha vida, aprendi uma coisa, e o povo brasileiro sabe: quem luta com fé, quem luta sabendo que está lutando pela coisa justa faz a boa luta” afirmou a presidenta.

Juiz diz que depoimentos não são da delação premiada

O juiz Sérgio Moro, relator dos processos da operação Lava Jato, negou ontem que tenha havido “vazamento” dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef à Justiça Federal do Paraná. Ele ressaltou que as falas de Costa e Yousseff se deram em ação penal que não estão em segredo de Justiça e que, por isso, devem ser divulgadas em prol da “transparência”.

Em depoimento na quarta-feira, Paulo Roberto Costa afirmou que as diretorias da Petrobras participavam de um esquema de partilha de propina com PT, PP e PMDB. E que o dinheiro era de contratos da estatal com empresas fornecedoras.

Em despacho, Sérgio Moro afirma que a audiência de Paulo Roberto Costa se difere da delação premiada, que corre em segredo de Justiça. “Os depoimentos prestados na última audiência da ação penal não são declarações prestadas na fase de investigação em decorrência da delação e que estão, como já decidido, sujeitos ao sigilo legal, mas, sim, depoimentos prestados em audiência aberta e em ação penal pública, imperando, como consignado, os mandamentos constitucionais do contraditório e da publicidade”, afirmou o juiz.

Segundo o magistrado, a transparência é a única forma de “garantir” o controle da população sobre a “gestão da coisa pública e sobre a integridade da Justiça”. “Os depoimentos prestados na última audiência na ação penal pública não foram ‘vazados’ por esta Corte de Justiça. A sua divulgação, ainda que pela imprensa, é um consectário normal do interesse público e do princípio da publicidade dos atos processuais em uma ação penal na qual não foi imposto segredo de justiça”, afirmou o magistrado.

Últimas de _legado_Eleições 2014