Presidenciáveis se desentendem sobre água

Tucano afirmou que ‘talvez tenha faltado’ maior atuação federal e fez críticas à Agência Nacional de Águas

Por O Dia

Rio - A falta de água em São Paulo motivou uma nova rodada de troca de farpas entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) nesta segunda-feira. Em um ato de campanha em Caeté, no interior de Minas Gerais, o senador tucano acusou o governo federal de ter parte da culpa pela falta de água que tem atingido São Paulo. Questionado sobre o assunto em visita ao Santuário da Nossa Senhora da Piedade, Aécio saiu em defesa do governador e correligionário Geraldo Alckmin e criticou a atuação da Agência Nacional de Águas (ANA) no estado.

“A ANA, criada no governo do presidente Fernando Henrique, se não tivesse no governo do PT servido a outros fins, nós nos lembramos bens quais foram as indicações, quais os critérios para se ocupar cargos de diretoria da ANA, poderia ter sido uma parceira maior do governador”, afirmou. Após visitar o santuário no interior de Minas, Aécio seguiu para Belém do Pará.

Aécio cobrou mais participação do Planalto na solução da crise hídrica de São Paulo. Ao lado de Lula%2C Dilma disse achar ‘estranho’ tucano transferir culpa da seca Foto Aécio%3A Divulgação. Foto Dilma%3A Reuters

Já a presidenta Dilma rebateu o rival afirmando que vê com “estranheza” a tentativa de associar o governo federal à escassez de água, já que os estados são os responsáveis pela gestão do recurso. No caso de São Paulo, a função é da Sabesp. Em entrevista coletiva em São Paulo, Dilma afirmou que se encontrou com Alckmin em março e o alertou sobre o problema. Segundo a presidenta , estudos produzidos pelos próprios governos tucanos previam o agravamento da escassez no decorrer do ano.

A presidenta afirmou que sugeriu a Alckmin que ele fizesse obras emergenciais para amenizar o problema. “Essa seca se prolongará e vocês não têm capacidade de abastecimento suficiente”, teria dito a presidenta ao governador. Segundo Dilma, Alckmin propôs a transposição do Rio Paraíba do Sul e ela ofereceu recursos do governo federal para ajudá-lo a implementar o plano.

“Não acredito que as estruturas do governo do estado podem atribuir a nós qualquer responsabilidade, ou qualquer omissão na ajuda. Ajudamos em todas as circunstâncias, participamos de grupos de trabalho, discutimos o volume morto”, disse Dilma após as críticas de Aécio.

Durante a coletiva, Dilma foi questionada sobre os elogios que fez a Aécio Neves em 2009, quando ele era governador. A fala da presidenta está sendo explorada no programa de TV de Aécio. “Eu era generosa. Muito generosa. Eu diria excessivamente generosa”, disse.


Lula não descarta voltar em 2018

O ex-presidente Lula não descartou ontem se candidatar à Presidência em 2018.Lula deu entrevista a uma rádio do Recife, em Pernambuco, na véspera de sua viagem com a presidenta Dilma Rousseff para fazer campanha no estado. A ex-senadora Marina Silva (PSB) foi a mais votada em Pernambuco, com 48,05% dos votos válidos.

Na entrevista de cerca de 20 minutos, Lula observou que estará com 72 anos no próximo pleito e que seria “leviandade” pensar na hipótese neste momento. “Tenho fé em Deus que o Brasil vai produzir quadros mais novos”. Apesar disso, o ex-presidente não descartou a possibilidade de retorno. “Não posso dizer que não [irei me candidatar], pois não sei qual a circunstância que vai haver em 2018”, afirmou.

Lula saiu em defesa da reeleição. “Um mandato de quatro anos hoje não permite que um presidente faça nenhuma obra estruturante”, argumentou.

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