Por victor.duarte

Rio - Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, a temperatura da campanha subiu ontem na PUC-Rio durante debate entre defensores das candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). A área dos pilotis da universidade virou arquibancada para cerca de 400 alunos que cantaram e desfraldaram bandeiras em defesa dos seus candidatos, sem esquecer de xingar os rivais, garantindo um autêntico clima de Fla x Flu ao evento.

Do lado tucano, os representantes convidados pelos estudantes foram os parlamentares Otávio Leite e Luiz Paulo, ambos do PSDB. Para defender Dilma, foram convidados Clarissa Alves da Cunha, vice-presidenta nacional do PT, e Emir Sader, doutor em Ciência Política pela USP e professor da Uerj. A tônica do debate, que durou cerca de duas horas, não foi muito diferente do que os presidenciáveis apresentaram neste segundo turno até agora: poucas propostas e muitos ataques.

Debate entre representantes do PT e PSDB atrai centenas de estudantes na PUC-RioVictor Duarte / Agência O Dia

O agravante veio da plateia, que disparou gritos de apoio e ataque para ambos os lados. Em diversas vezes, os estudantes interessados em ouvir as propostas pediram “respeito” aos colegas mais exaltados. “Bafômetro” e “Lei Seca” foram algumas das palavras de ordem petistas, disparadas a cada fala dos defensores de Aécio. “Terrorista”, “mensalão” e “vai para Cuba” eram algumas das alfinetadas dos tucanos.

Apesar do clima tenso, e de momentos de maior rispidez, não houve confronto físico entre os apoiadores de ambos partidos. “Eles vêm com um discurso de ódio. Debate é importante, mas critico a intolerância”, disse Ana Costa, 20 anos, eleitora de Dilma. “A PUC está vivendo dias de polarização, e o debate foi assim”, afirmou Vitor Campos, 21, eleitor de Aécio.

O cientista político Emir Sader, que apoia Dilma Rousseff, comparou Aécio Neves ao ex-presidente Fernando Collor, arrancando vaias de parte dos estudandes. "A comparação é do Collor de ontem e do Aécio de hoje - playboy, sem compromisso com o povo, prometendo política dos ricos e para os ricos, machista, violento, maltrata as mulheres verbal e fisicamente mas, principalmente, governa para os ricos. Aquele Collor era exatamente isso".

O presidente estadual do PSDB, Luiz Paulo Corrêa, criticou o modo de gestão econômica do governo atual. "Não tem maior legado pra esse país que não seja o Plano Real do FHC. Diferente da Dilma, que vai deixar para o próximo governo 7% de inflação e 0,7% de PIB".

Quando o assunto do debate foi o regime prisional brasileiro, o deputado federal Otavio Leite defendeu a proposta de Aécio em Minas Gerais. "O modelo de gestão penal no Brasil está falido. Minas Gerais tem uma proposta que outros estados estão querendo copiar".

Em resposta, a vice-presidente nacional do PT Clarissa Alves criticou o modelo mineiro. "Cada preso num presídio do interior de Minas Gerais vale R$2.700,00. Não quero prender mais gente e sim evitar que pessoas sejam presas".

Reportagem de Leandro Resende


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