Dilma diz que 'Veja' faz terrorismo. Aécio cobra investigação

Revista antecipa edição com suposta acusação de doleiro preso contra a presidenta e Lula

Por O Dia

Rio - A presidenta Dilma Rousseff reagiu ontem à matéria publicada na edição antecipada da revista ‘Veja’, que afirma que o doleiro Alberto Youssef teria dito à Justiça, no sistema de delação premiada, que ela e o ex-presidente Lula sabiam do desvio de dinheiro da Petrobras.

A capa da revista%2C com montagem com os rostos de Lula e de Dilma%2C diz que o doleiro acusou os dois de estarem informados sobre o esquema de desvio da PetrobrasReprodução

A resposta da presidenta foi dada no horário eleitoral gratuito. Dilma afirmou que vai processar a revista por “ato de terrorismo eleitoral”, já que não apresentou nenhum tipo de prova da acusação de Yousseff.

“Não posso me calar frente a esse ato de terrorismo eleitoral articulado pela revista ‘Veja’. Desta vez, ela excedeu todos os limites (...) ao insinuar que eu teria conhecimento prévio dos maus feitos na Petrobras. A ‘Veja’ comete esta barbaridade contra mim e contra o presidente Lula sem apresentar a mínima prova. Isso é um absurdo, isso é um crime. ‘Veja’ fracassará no intento criminoso. Ela não ficará impune. A Justiça livre deste país vai condená-la por esse crime”, disse a candidata.

O advogado de Alberto Youssef, Antônio Figueiredo Basto, disse ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’ que não tomou conhecimento de nenhum depoimento de seu cliente em que teria dito o que foi afirmado pela revista. “Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso. Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso”, disse Basto.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mais comedido na resposta, preferindo ironizar a reportagem. Durante ato de campanha em São Paulo, ele lamentou que a revista não tenha apresentado provas. “O problema da ‘Veja’ é que ela só fala”, disse Lula.

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, classificou a denúncia como prova de desespero dos adversários. “É o desespero de última hora da ‘Veja’. Ninguém mais dá credito para essa revista aí. Infelizmente, essa revista faz um tipo de coisa inaceitável em uma democracia, onde a gente precisa ter mais seriedade para tratar das coisas”, acusou.

Em entrevista coletiva na tarde de ontem, no Hotel Sheraton, da Avenida Niemeyer, o candidato Aécio Neves (PSDB) disse que seu partido vai entrar com processo na Procuradoria da República pedindo que sejam investigadas as denúncias divulgadas pela revista ‘Veja’.

O candidato tucano acusou os petistas da prática de Caixa 2 na campanha, também com base no suposto depoimento do doleiro Alberto Youssef. “Uma parte do depoimento diz que um dos coordenadores da campanha do PT solicitou que retornasse ao Brasil 20 milhoes de dólares para a campanha. Se comprovado, isso é a confirmação de que houve operação de caixa dois”.

Ele disse que o caso é extremamente grave e precisa ser investigado. “Estaremos vigilantes acompanhando o desenrolar dessas investigações”, disse Aécio Neves.

TSE nega pedido do PT

O ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou ontem o pedido de liminar feito pela campanha da presidenta Dilma Rousseff para a retirada da reportagem publicada no site e no Facebook da revista ‘Veja’.

Gonzaga justificou a decisão lembrando que o artigo da lei eleitoral citado na representação para pedir a retirada do ar não está em vigor nas eleições deste ano. O ministro arquivou a representação, sem julgamento do mérito.

De acordo com o pedido do PT, a revista teria antecipado sua edição para ‘tentar afetar a lisura do pleito eleitoral’. Na representação, a campanha de Dilma diz que ‘Veja’ “imputa crime de responsabilidade à candidata Representante (...) e a mensagem ofensiva da capa da revista tem por objetivo bem delineado: agredir a imagem da candidata Representante”.

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