Por nicolas.satriano

Rio - A civilidade não foi cumprida só nas urnas no segundo turno das eleições. Na maior parte da Zona Oeste, ela pôde ser vista também no chão. Em bairros como Bangu, Senador Camará, Campo Grande, Santa Cruz e Realengo, ruas que ficaram abarrotadas de material de campanha de candidatos no dia 5 de outubro não tinham sequer rastro dos santinhos.

O auxiliar de logística Tiago Cruz Lucas, de 31 anos, que vota na Escola Municipal Jorge Zarur, na Vila Kennedy, destaca a mudança dos cenários entre as duas fases da votação. “No primeiro turno, a rua era um mar de papéis. Dessa vez não teve um para contar história. Com certeza porque não há mais candidatos a deputados disputando”, diz o eleitor.

Em Vila Kennedy%2C as ruas terminaram assim%2C limpasCarlos Moraes / Agência O Dia

Filas também não foram problema desta vez. Na universidade Estácio de Sá, na Rua Felipe Cardoso, uma dos maiores zonas eleitorais de Santa Cruz, todas as seções ficaram livres de aglomeração. O motorista Carlos Alberto Teixeira, 49, votou em um minuto. No entanto, foi a segunda eleição seguida que a filha dele, Grace Carla de Souza, 24, que é deficiente física, saiu do local sem conseguir exercer seu direito de cidadã.

“Tirei meu título de eleitora na eleição passada e nunca consegui votar. Minha seção fica no segundo andar e eu não tenho como subir dois lances de escada na cadeira de rodas. Dessa vez achei que ia conseguir, porque já tinha pedido a mudança ao TRE, mas me frustrei mais uma vez”, lamenta a jovem, que foi embora com uma declaração de comparecimento à votação, mas sem poder escolher seu candidato favorito.

Grace não é a única que vê o voto mais do que como uma obrigação. Do alto de seus 76 anos, o casal de aposentados Sérgio Fleming de Almeida e Dulce Palhares de Almeida foi, de mãos dadas, apertar o botão “confirma” no Ciep Antonio Evaristo de Moraes, na Avenida Santa Cruz. Usando muleta, Antonio fez questão de marcar presença mesmo com o braço quebrado. “Enquanto pudermos, nós temos que vir. A gente não pode jogar só no primeiro tempo. A hora de golear é no segundo”, brinca ele.

Vila Aliança

Na última terça-feira, 21, o TRE-RJ transferiu a votação em cinco escolas localizadas na comunidade Vila Aliança, em Senador Camará, para colégios do Centro de Bangu, mas voltou atrás da decisão em menos de 24 horas. O motivo alegado pela juíza da 24ª zona eleitoral, Paula Fernandes Machado de Freitas, era a falta de segurança no local e a presença de traficantes armados. O órgão recuou após um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que considerou que a medida violava o direito dos eleitores de votar perto de casa. Além disso, segundo o presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, os locais de votação devem ser definidos 60 dias antes do pleito.

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