Por bianca.lobianco

Brasília - Na disputa mais apertada da democracia brasileira dos últimos 25 anos, a ex-guerrilheira e primeira mulher a comandar o país, a 'coração valente' Dilma Rousseff foi reeleita ontem, aos 66 anos, presidenta do Brasil. Com mais de 54 milhões de eleitores, Dilma entrará para a História, no dia 1º de janeiro, como a única mulher a ocupar por duas vezes seguidas a cadeira principal do Palácio do Planalto. A petista venceu Aécio Neves (PSDB) por 51,64% contra 48,36% dos votos válidos no segundo turno da eleição presidencial, com 99,9% das urnas apuradas.

Com um país dividido, a petista ganhou por uma diferença de apenas 3,4 milhões de votos prometendo governar para todos, até 2018, e priorizando o entendimento com todos os setores da sociedade.

Após vencer a mais disputada eleição presidencial dos últimos 25 anos%2C Dilma Rousseff afirma que o Brasil não está dividido e pede uniãoReuters

Vestida de branco, em clima de paz, Dilma dedicou à vitória ao ex-presidente Lula. “Minhas primeiras palavras são de chamamento à paz e à união”, disse a presidenta que pregou a conciliação, depois de uma campanha marcada por ataques de ambos os lados. “Não acredito que essas eleições tenham dividido o país ao meio. Entendo que mobilizaram ideias e emoções contraditórias, movidas por um sentido comum: a busca por um futuro melhor para o país”, comemorou a presidenta, que anunciou a disposição para o diálogo, como o primeiro compromisso do seu segundo mandato.

“É hora de cada um acreditar no Brasil. Ampliarmos nosso sentimento de fé”, disse Dilma, que, apesar de receber 1,3 milhão de votos a menos do que há quatro anos, sai fortalecida das urnas, depois de enfrentar denúncias de corrupção nos escândalos do mensalão e na Petrobras. “Sei que estou sendo reconduzida à presidência para fazer as grandes mudanças que a sociedade exige”, ressaltou a petista, que votou no Rio Grande de Sul e seguiu para Brasília, de onde fez o pronunciamento nacional.“Brasil mais uma vez essa filha tua não fugirá da luta. Viva o Brasil. Viva o povo brasileiro”, festejou.

A quarta vitória seguida do PT sobre os tucanos foi comemorada com festa nas ruas em todo o país por militantes e eleitores. O resultado atrasou para aguardar o fim da eleição no Acre, devido a três horas de diferença do fuso e horário de verão.

Logo após o anúncio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dilma recebeu telefonema de Aécio Neves. “Desejei sucesso na condução do seu próximo governo”, disse o senador. Para ele, “a maior de todas as prioridades do novo governo deve ser a de unir o Brasil em torno de um projeto honrado e que dignifique a todos os brasileiros”.

Não foi desta vez que o PSDB conseguiu quebrar jejum de 12 anos do partido fora do poder. Numa batalha voto a voto, Aécio chegou ao segundo turno empatado tecnicamente com Dilma. Na soma final dos votos, conquistou 51 milhões de eleitores. Venceu em todos os estados da Região Sul. 

No Sudeste, ficou com metade dos votos, ganhando no Espírito Santo, e em São Paulo, maior colégio eleitoral. Citando uma mensagem do santo que dá nome à capital paulista, Aécio agradeceu aos brasileiros que lhe deram voto de confiança. “Mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca, eu deixo essa campanha. Combati o bom combate, cumpri minha missão”, disse o tucano.

Pezão é eleito governador do Rio

A dobradinha Dilmão, deu ao candidato do PMDB Luiz Fernando Pezão a vitória no estado do Rio. O atual governador foi reeleito com 55,7% dos votos válidos. No cargo desde abril, após renúncia de Sérgio Cabral, Pezão obteve o apoio de 4,4 milhões de eleitores 900.585 votos a mais que Marcelo Crivella (PRB). Pezão fez um agradecimento especial ao ex-governador Sérgio Cabral.

“O Rio tem políticas públicas como as Upas e UPPs que são referência no país. Tem muito ainda a ser feito. Quero ser o 2 º prefeito em cada cidade. Quando melhoramos a cidade estamos ajudando o país”, agradeceu.

Reeleito com 55%2C78% dos votos válidos %2C Pezão comemora a vitória com um beijo na mulher Maria Lúcia e diz que ‘tem muito ainda a ser feito’ Márcio Mercante / Agência O Dia


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