Por thiago.antunes

Rio - Reeleito com o apoio de 21 partidos, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) disse que seu governo será marcado por respostas ágeis para a população. Muito cansado e pedindo por um momento “para botar as pernas para o alto ou ver um filme”, o governador garantiu em entrevista ao DIA, nesta segunda-feira, que acabará com a falta d’água na Baixada Fluminense “em um ano e meio ou dois” e articulará com o governo federal solução para por fim às filas nos hospitais federais. Defendeu ainda a parceria com o prefeito Eduardo Paes para levar o metrô até o Recreio.

No seu gabinete no Palácio Guanabara%2C Pezão falou sobre seus planos e mostrou disposição para novas obrasAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Embora seu governo não seja novo — ele se refere à gestão de Sergio Cabral como “nossa” —, diz que agora é o chefe do Executivo estadual e, assim, pode agilizar as medidas do estado. “Tenho mais poder agora e quero mais”, disse ele, sentado em sua cadeira onde ficará por mais quatro anos. Perguntado se tinha alguma crítica ao ex-governador, afirmou que não.

De frente para dois retratos em que está com Sérgio Cabral e outro com a presidenta Dilma Rousseff (PT), Pezão afirmou que pretende tirar do papel a Linha 3 do metrô — promessa feita pelo seu antecessor quando concorreu ao governo — e estender a Linha 4 ao Recreio. Para isso, disse ele, conversará com o prefeito Eduardo Paes (PMDB) para possíveis parcerias.

“A gente está apresentando ao mercado para discussão a manifestação de interesse. Eu quero muito começar essa obra ainda esse ano, mas claro que eu tenho que vencer as burocracias. Tem audiência pública e todo um rito. Pode ter certeza de uma coisa: a água na Baixada e a Linha 3, eu vou tirar do papel”, afirmou o governador.

Sobre a possível parceria com o governo do estado, Paes respondeu que é preciso analisar os projetos, mas abriu canal de diálogo. Pezão também afirmou que outra prioridade do seu governo será a transparência e que a comissão de ética funcionará a todo vapor. Além disso, ele disponibilizará, no início do ano que vem, a relação de bens dos seus secretários. O secretário de segurança. José Marino Beltrame, segundo o governador, ainda não teria sido convidado a permanecer no cargo.

Pezão disse que não pretende criar muitos hospitais. “Quero botar para funcionar os que já têm”, afirmou. Com relação aos hospitais federais, muitos deles sem condições adequadas para atender a população, o governador afirmou que pretende conversar com a presidenta Dilma Rousseff para resolver essa situação. “Conversei permanentemente com a presidenta Dilma e com o ministro da Saúde sobre os hospitais federais do Rio. O governador disse que vai resolver o problema de falta de água e saneamento na Baixada Fluminense o mais rápido possível. Segundo ele, o governo do estado já licitou a compra da tubulação necessária para iniciar as obras e que, dentro de um ano e meio ou dois, a Baixada não terá mais este problema. A questão do esgoto pode ser feita através de um parceria público-privada, com cobrança de taxas.

Sobre o crescimento do número de deputados de partidos da oposição — na teoria são 26—, o governador garante que saberá ter bom diálogo. Pezão lembrou que começou a vida pública no Legislativo, ainda na Câmara de Vereadores em Piraí.

“Posso conversar com os 70 deputados, não tenho problema em conversar com ninguém”, afirmou, acrescentando ainda que o importante são as políticas de interesse público. “Não vou mandar nada para a Alerj que não seja de interesse da população. Terei ótimo diálogo como Parlamento.”

A Região Metropolitana ganhará papel central em sua gestão. Segundo ele, a Câmara Metropolitana de Integração Governamental pode se tornar uma agência ou mesmo uma secretaria. A medida terá sentido simbólico, já que o órgão já existe e auxilia as prefeituras do Grande Rio com técnicos e políticas integradas.

“Não adianta nós resolvermos os problemas da cidade do Rio e não resolver de Niterói, São Gonçalo, Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti. Eu quero que o órgão centralize todas as políticas da região, principalmente o saneamento e a mobilidade urbana”, disse Pezão.

Capa virou destaque no país e no exterior

A capa dupla do DIA desta segunda virou notícia e até o governador reeleito Luiz Fernando Pezão parou para dar uma conferida. A ideia de mostrar a foto da presidenta reeleita Dilma Rousseff (PT) quando foi presa durante a luta contra a ditadura foi o recurso para sair do lugar comum. “Todo mundo sabia que a Dilma foi reeleita, e nossa saída foi mostrar essa conexão entre o passado e o futuro”, explica André Hippert, diretor de arte do jornal.

A celebração da vitória e a figura emblemática de Dilma jovemReprodução

Na contracapa, destaque para a comemoração de Dilma, que aparece ao lado de Lula, e para o governador Luiz Fernando Pezão e sua esposa, Maria Lúcia. A capa apareceu no site ‘Newseum’, que mostra páginas de diversos jornais de vários países do mundo. A ‘Folha de S.Paulo’ também exibiu a capa na internet.

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