Por thiago.antunes

Rio - Além do governador Luiz Fernando Pezão, saíram vencedores do pleito de ontem o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes e seu grupo, ao qual pertencem o deputado federal Pedro Paulo e o estadual Paulo Mello — todos do PMDB e articuladores do movimento Dilmão, que apoiou no Rio a presidenta Dilma Rousseff e o governador Luiz Fernando Pezão.

Em jogo, embates bem locais. Um deles, a briga pela presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) entre Paulo Mello,seu atual presidente, e seu principal adversário, Jorge Picciani, articulador do movimento Aezão, que apoiou a candidatura do governador Pezão à reeleição e a do tucano Aécio Neves.

Com a vitória de Dilma para a Presidência e de Pezão para o governo do estado%2C prefeito Eduardo Paes ganha prestígio e poder dentro do PMDB oDivulgação

Presidente do PMDB do Rio, Picciani apostou no tucano para firmar seu nome dentro do partido e ganhar força para alavancar dois movimentos: retomar a presidência da Alerj, e indicar seu filho, Leonardo, deputado federal reeleito, à vaga do partido na disputa para a prefeitura em 2016. Para isso, Picciani enfrentou a direção nacional do PMDB, que tem a vaga da Vice-Presidência com Michel Temer. Não deu certo. Agora a sua sobrevivência política está nas mãos de seu aliado o ex-governador Sérgio Cabral que marchou silencioso ao seu lado no Aezão.

Adversário interno da família Picciani no PMDB, o prefeito Eduardo Paes, terá, agora, a gratidão da presidenta — que poderá lhe oferecer um ministério assim que findar o mandato à frente da Prefeitura do Rio, em 2016. A projeção nacional e os Jogos Olímpicos alavancariam seu nome para a disputa ao governo do estado, na sucessão de Pezão.

Pedro Paulo%3A Deputado também se beneficia com o resultadoDivulgação

Antes disso, porém, Paes lutará para indicar, como seu sucessor, o amigo e ex-secretário Pedro Paulo. O deputado federal disputa internamente a vaga do PMDB para o pleito municipal com o filho do presidente regional do partido, Leonardo Picciani.

O DIA apurou que Eduardo Paes se fortalece, inclusive, para articular uma chapa que substitua a de Jorge Picciani no comando do PMDB do Rio. Sérgio Cabral, que “costeou o alambrado” do Aezão, deve ser o fiel da balança na briga interna.

Para o cientista político Paulo Baía, professor da UFRJ, Cabral terá papel fundamental, porque, “embora desgastado externamente, é importante no PMDB e elegeu seu vice”. “A disputa vai se resolver aqui no estado, sem interferência federal, do Diretório Nacional. Sérgio Cabral é fundamental na disputa Paes versus Picciani. Ele, para mim, é o grande vencedor”.

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