Por felipe.martins

Rio - Reeleita, a presidenta Dilma Rousseff vai enfrentar um cenário de dificuldades no Congresso, principalmente com o PMDB. O sinal do primeiro entrave foi dado ontem pelo líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, que defendeu o fim do acordo de revezamento entre o PT e o PMDB na presidência da Casa.

Candidato ao posto, Cunha afirmou que “não faz sentido o partido que ganhou a eleição fique também com o comando do Congresso”. Ele ameaçou apoiar a criação de uma nova CPI para investigar a Petrobras, em 2015.

Na avaliação do peemedebista, o PT ficará com muito poder, caso ocupe a presidência da Câmara. “Não é de bom alvitre a gente manter uma concentração num único partido de tanto poder”, disse. Com a diminuição da base aliada, Dilma deverá enfrentar um ‘terceiro turno’, com o acirramento da oposição.

Presidenta adota tom conciliador e promete mais diálogoDivulgação / Ichiro Guerra

“Quem tentar fazer um terceiro turno estará prestando um desserviço ao Brasil”, reagiu a presidenta, nas primeiras entrevistas concedidas após a reeleição e exibidas pela Record e Rede Globo. Diante da provável relação tensa com o Congresso, Dilma voltou ontem a adotar um discurso conciliador. Ela afirmou que captou um recado de “mudança” nas urnas e que vai procurar diversos setores para dialogar, entre eles o produtivo, movimentos sociais e representantes do mercado — segmento que repudiou sua candidatura durante a campanha.


Sobre as denúncias envolvendo a Petrobras, Dilma afirmou que “não deixará pedra sob pedra” e que trabalhará para dar o máximo de transparência às investigações.

Ela descartou a promoção de um ajuste como o que Lula promoveu em 2003 e afirmou que o cenário para 2015 é de calma. “Não vou falar para o brasileiro reduzir seu consumo porque ele está empregado e ganhando seu salário. Minha mensagem é de calma e tranquilidade. O Brasil vai estar melhor do que está hoje”, afirmou a presidenta.


Lula comemora aniversário em SP

O ex-presidente Lula teve uma comemoração tripla de seu aniversário de 69 anos com a reeleição de Dilma Rousseff (PT). O presidente começou a festa no domingo, no Palácio da Alvorada, onde recebeu um bolo de Dilma quando comemoravam os resultados da eleição. Durante a campanha, o presidente ressaltou em diversas ocasiões que gostaria de ver Dilma reconduzida à Presidência como presente.

No dia seguinte à reeleição de Dilma%2C Lula festeja seu aniversárioDivulgação

Nesta segunda-feira à tarde, em São Paulo, ele soprou as velas novamente no Instituto Lula, acompanhado de assessores e alguns militantes da juventude do partido. O evento foi fechado para a imprensa e figurões do PT não compareceram. À noite, ele seguiu para um encontro com a família em São Bernardo do Campo.

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