Por thiago.antunes
Publicado 05/11/2014 01:33 | Atualizado 05/11/2014 01:43

Rio - Nem mesmo a ajuda do comitê de reeleição da presidenta Dilma Rousseff conseguiu reduzir o rombo nas contas da campanha do petista Lindberg Farias, que disputou o governo do Rio. Depois de amargar um quarto lugar na corrida pelo Palácio Guanabara, o senador deixa uma dívida que beira os R$ 12 milhões.

Durante a campanha, o petista conseguiu arrecadar R$ 7,3 milhões — desse total, R$ 1,2 milhão foi doado pelo comitê de Dilma no dia 3 de outubro, antevéspera da eleição, e nos dias 29 e 26 de setembro. O restante das doações veio, em sua maioria, do Diretório Nacional do PT. No dia 11 de setembro, o Banco Itaú deu R$ 300 mil para a campanha do candidato. Enquanto as doações para a campanha de Lindberg alcançaram R$ 7,3 milhões, as despesas chegaram a R$ 19,2 milhões.

Lindberg recebeu doações do comitê de reeleição de Dilma RousseffSandro Vox / Agência O Dia

Anthony Garotinho, do PR, foi outro derrotado que também obteve recursos do comitê da presidenta. Foram R$ 694,2 mil, doados majoritariamente no dia 30 de setembro. Mas, ao contrário do petista, a campanha de Garotinho não ficou no vermelho: ele arrecadou R$ 5,4 milhões e gastou praticamente a mesma quantia. A Mineração Corumbaense Reunidas S.A. foi uma de suas maiores doadoras, com R$ 500 mil.

O governador reeleito Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o senador Marcelo Crivella (PRB) têm até o dia 25 de novembro para apresentar suas prestações de contas. A candidata do PSTU, Dayse Oliveira, arrecadou R$ 10.772,36. Os candidatos Tarcísio Motta (Psol) e Ney Nunes (PCB) não tinham enviado até as 20h45 de ontem a prestação de contas. Procurado, Lindberg não retornou as ligações da reportagem.

Campanhas milionárias

Entre os dez deputados federais mais votados no Rio de Janeiro, os peemedebistas lideraram os gastos de campanha. Candidato à Presidência da Câmara e líder do PMDB, o deputado Eduardo Cunha foi o campeão de despesas, com o desembolso de R$ 6,4 milhões para chegar na terceira posição na corrida por uma das 46 vagas destinadas ao Rio de Janeiro na Câmara. Nem assim saiu com dívidas: Cunha arrecadou R$ 6,8 milhões, entre doações de bancos, como o Santander, além d a distribuidora de bebidas CRBS S.A., a Telemont Engenharia Telecomunicações S.A., que doou R$ 900 mil, e a mineradora Mineração Corumbaense Reunidas S.A., com R$ 700 mil, entre outros.

Filho do ex-governador Sérgio Cabral, Marco Antonio Cabral chega para cumprir seu primeiro mandato na Câmara embalado por uma campanha com gastos de R$ 6,7 milhões. Seus doadores — que somaram também R$ 6,7 milhões — foram empreiteiras e pessoas físicas, como Richard Klien, da Multiterminais (empresa que opera no porto do Rio), que entrou com R$ 200 mil. O peemedebista Leonardo Picciani, que vai para seu quarto mandato na Câmara, também teve campanha milionária: ele gastou R$ 3,4 milhões e recebeu quantia semelhante também de empreiteiras, entre outros.

Já o campeão de votos para a Câmara pelo Rio, o deputado Jair Bolsonaro (PP), gastou R$ 405.181,47 — ele arrecadou R$ 405.224,00. Chico Alencar (Psol), que ficou na quarta posição na disputa por uma vaga na Câmara, teve despesas de R$ 168.122,22, enquanto seu colega de partido Jean Wyllys gastou R$ 67.392,07.

Avião some das contas de Campos e PSB

Ficou de fora da prestação de contas do Comitê Financeiro da campanha presidencial do PSB qualquer referência ao avião em que morreu em agosto deste ano o então presidenciável Eduardo Campos. Não entrou também na prestação de contas da sua campanha, divulgada ontem em versão final pelo TSE. A Polícia Federal investiga a compra do avião por laranjas.

Procurado pelo DIA, o presidente do partido, Carlos Siqueira, que à época era coordenador de campanha de Campos, não retornou as ligações. Já Marina Silva, que o substituiu, arrecadou e gastou R$ 44 milhões, segundo suas declarações à Justiça Eleitoral. Os principais doadores foram construtoras, empresas financeiras e a JBS, da Friboi, que sozinha deu à campanha R$ 4,6 milhões. Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), por irem ao segundo turno, entregarão suas contas até o dia 25.

Reportagem de Eugênia Lopes

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