Por adriano.araujo
Publicado 09/11/2014 23:34 | Atualizado 09/11/2014 23:52

Rio - Sempre às 16h30 das terças, quartas e quintas, nos últimos quatro anos, os 70 deputados estaduais do Rio tinham de bater ponto no mesmo lugar: Rua Primeiro de Março sem número, Praça 15, Palácio Tiradentes, Centro do Rio, Alerj. A rotina, porém,não será a mesma a partir do ano que vem para 44% deles (31 parlamentares), que não foram eleitos ou que migrarão para outros cargos.

Cada um deixará de receber salário de R$ 20.042,35, além de benefícios como auxílio moradia (R$ 2.850) — para aqueles que moram a mais de cem quilômetros do Rio —, carro oficial, tanque cheio de combustível e segurança.

GALERIA: Veja quem são os parlamentares mais antigos da Alerj não reeleitos

Eleita pela primeira vez em 1990%2C Graça Matos%2C do PMDB%2C ficará fora do Legislativo. Com reduto eleitoral em São Gonçalo%2C recebeu apenas 32.347 votos.Paulo Alvadia / Agência O Dia

Graça Matos (PMDB) é das mais antigas — há 20 anos está no parlamento —; seguida de Armando José (PSB), com 16 anos de mandato. Gilberto Palmares (PT), Roberto Dinamite (PMDB), Edino Fonseca (PEN) e Inês Pandeló (PT), com 12 anos de casa; e Altineu Cortes (PR), com 8, completam a lista dos que há mais tempo ocupam uma das 70 cadeiras da Alerj e que, no próximo ano, ficarão fora.

“Combati um bom combate, trabalhei na política para ajudar a mudar para melhor a vida das pessoas e saio com a cabeça erguida, certa de que utilizei meu mandato como instrumento de transformação social”, afirma a deputada Pandeló.

Dos sete mais antigos não eleitos, ela foi a única que não concorreu nestas eleições. Respondendo a processos na Justiça que poderiam — se condenada — tirar-lhe o mandato, Inês preferiu não disputar.

“Fui caluniada, mas provarei minha inocência. De qualquer forma, os votos que recebi ao longo da última década mostraram que meu trabalho foi bem avaliado.”

Como sua colega de partido, Gilberto Palmares diz que, depois de tantos anos como deputado, voltará aos movimentos sociais e à vida partidária, mas que ainda não planejou a nova rotina.

Sobre sua derrota, ele acredita que o partido se afastou dos movimentos tradicionais, como sindicatos, que perderam força no Legislativo. Para Palmares, o sentimento antipetista na cidade do Rio contribuiu para a sua saída.“Dos seis eleitos pelo PT, só um é da cidade do Rio”, diz.

O cientista político e professor da UFRJ Paulo Baía discorda, lembrando que Dilma, no segundo turno, foi muito bem eleita na capital. No entanto, a despeito do grande número de não eleitos para a próxima legislatura, Baía não vê renovação no parlamento do Rio.

“Olhar para o número de não eleitos da Alerj dá a sensação de que houve renovação, mas é uma falácia”, explica ele. “Os grupos políticos são os mesmos com pessoas diferentes, apenas.”

Inês não sabe ainda como serão seus dias, quando chegar o horário de bater ponto às terças, quartas e quintas. “Depois de tantos anos, precisarei ver o que vou fazer. Mas está nas mãos de Deus”.

Um assessor parlamentar que trabalha com um dos não eleitos afirmou que o sentimento é de fim de festa: “Vai ter gente acordando no dia 2 de fevereiro, seguinte à posse da nova Alerj, sem saber quem é, depois de tanto tempo sendo autoridade.”

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