Bassul avalia positivamente o NBB 5 e explica 'sim' a Fluminense e Goiânia

Gerente técnico da Liga aponta crescimento do torneio e mira mais evolução para os próximos anos

Por O Dia

Rio - Paulo Bassul encarou um novo desafio nesta temporada. Ele foi contratado pela Liga Nacional de Basquete (LNB) para ser gerente técnico da entidade e comandar o departamento que desenvolve as competições da Liga, em especial o NBB. Nesta entrevista, Bassul, que dirigiu a seleção brasileira feminina, avalia positivamente a quinta edição do principal torneio do país, aborda os próximos passos e justifica a decisão em aceitar Fluminense e Goiânia no NBB 6.

Paulo Bassul é tricampeão nacional no basquete femininoDivulgação

O DIA: Bassul, qual balanço já dá para fazer do NBB 5?

Bassul: Foi uma competição muito equilibrada. Tivemos, até a última rodada, disputa por posições para entrar no G4, equilíbrio total no bloco intermediário e também briga para não cair, o que foi uma novidade do NBB 5. Tudo isso manteve o nível de competitividade alto o tempo inteiro. Conseguimos colocar em prática uma série de novidades como a súmula eletrônica, o novo software de estatísticas, novo Tempo Real e a nuvem disponibilizando todos os vídeos de jogos para as equipes quase que de forma imediata, facilitando muito o trabalho dos técnicos. A presença de público aumentou 20% nos jogos da fase de classificação e 58% nos jogos dos playoffs em relação à temporada anterior. Diante do exposto, creio que o balanço foi bem positivo.

Quais os próximos passos? Em quais aspectos o NBB precisa evoluir?

A LNB sempre busca evolução, seja na parte técnica, administrativa ou estrutural. Esse é um processo que não acaba nunca. Precisamos acertar os detalhes em relação à Segunda Divisão e definir o calendário para os próximos anos, de forma que as duas divisões atinjam 16 equipes, o que considera-se o número ideal.

Quando o NBB 6 começa a tomar forma em relação à quantidade de clubes e formato de disputa?

Até o mês de agosto as equipes devem cumprir uma série de procedimentos após os quais teremos a confirmação final de quais equipes estarão aptas a participar do NBB 6. Acredito que teremos entre 18 e 20 equipes no NBB 6 e o formato não deve sofrer alterações significativas.

Em relação à entrada de Fluminense e Goiânia no NBB? Qual foi o principal motivo de terem sido aceitos?

Houve uma análise, por parte do Conselho de Administração da LNB, de duas solicitações de clubes para participar do NBB 6. Isso está previsto no estatuto da LNB e é uma das atribuições do Conselho. O Conselho democraticamente decidiu que os projetos são consistentes e interessantes para a LNB. Com isso teremos a participação de mais uma praça de grande porte, que é Goiânia, além da entrada de um clube de massa, com tradição de investimento no basquete e na formação de atletas, que é o Fluminense.

Fluminense foi aceito no NBB 6Divulgação

E a final em jogo único? Vai ser mantida?

Essa é uma questão que ainda está sendo estudada. A LNB decidiu fazer uma experiência de dois anos com a final em jogo único transmitida ao vivo pela TV Globo e agora faz um balanço dos prós e contras dessa decisão para se definir o formato da final para as próximas temporadas. É uma decisão complexa e, como tudo dentro da LNB, esse tema está sendo analisado de forma cuidadosa e democrática.

Agora a nível técnico, qual a avaliação da Liga sobre o NBB? E qual patamar a competição pode atingir?

O nível técnico vem subindo gradativamente a cada temporada. Algumas jovens promessas brasileiras já se firmaram e a cada ano que passa o nível dos estrangeiros contratados pelas equipes sobe. O crescimento de visibilidade da competição gera o aumento do nível de investimento das equipes, o que por sua vez influencia no nível das contratações, alimentando um círculo virtuoso. Temos um grupo de técnicos que tem investido bastante na busca de mais conhecimento e hoje presenciamos alguns trabalhos bem interessantes.

Como você avalia o momento do basquete brasileiro?

Crescimento, essa é a palavra que melhor define o que está acontecendo e esse processo é duradouro. Apenas para ilustrar essa afirmação, esse ano tivemos 42 equipes interessadas em participar da Liga de Desenvolvimento (LDB). Se conseguirmos concretizar o lançamento da Segunda Divisão no início de 2014 teremos quatro competições de alcance nacional no país (LDB, Copa Brasil/CBB, Segunda Divisão e NBB) e isso era inimaginável há pouco tempo atrás. Além disso, a Seleção tem uma ótima geração, está sendo bem conduzida pelo Magnano e com certeza brigará por uma medalha na Olimpíada no Brasil. Ainda nos faltam resultados internacionais, mas vejo que estamos no caminho certo e que isso é apenas uma questão de tempo.

Qual o maior desafio que você encontrou ao trabalhar para a Liga?

Sempre me dedico muito para poder exercer bem a função para o qual sou contratado. No caso da LNB, o maior desafio foi ocupar um cargo administrativo, apesar de estar ligado à área técnica, numa entidade já conhecida pela excelência em tudo o que faz, e tudo isso em um universo do qual eu ainda não tinha participado diretamente, que é o do basquete masculino. Esse conjunto de fatores me preocupou muito no início porque tinha receio de não corresponder às expectativas. Tive muito apoio do Sérgio (Sérgio Domenici, gerente executivo) e do Kouros (Kouros Monadjemi, diretor de relações institucionais e ex-presidente da LNB) na época da minha contratação e uma receptividade muito boa por parte dos dirigentes e técnicos dos clubes e isso me ajudou muito. Hoje me sinto completamente adaptado na função e orgulhoso de poder participar de todo esse processo.

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