Por pedro.logato

Rio - Um dos mais esperientes da seleção brasileira, com uma Copa do Mundo no currículo, Daniel Alves completou 70 jogos com a Amarelinha na conquista da Copa das Confederações, contra a Espanha. Lateral-direito do Barcelona, ele destaca a importância da dupla formada por Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari no comando da equipe brasileira. No clube catalão, ele comenta a chegada do técnico argentino Gerardo Martino e torce pela recuperação de Tito Vilanova, em tratamento de um câncer. O baiano de Juazeiro, que foi figurante no filme ‘Guerra de Canudos’, também revela que, se tivesse nova experiência no cinema, gostaria de contracenar com o ator Thiago Martins e ainda brinca com as “críticas” de Felipão ao pagode da Seleção. Sobre o fim da carreira, o jogador sonha se aposentar no Bahia, onde tudo começou.

Daniel Alves em treino da Seleção na Copa das ConfederaçõesErnesto Carriço / Agência O Dia

O DIA: Em que momento da Copa das Confederações caiu a ficha de que o grupo estava completamente fechado e o título era possível?

DANIEL ALVES: Foi uma competição especial. Desde o primeiro momento o grupo estava bastante confiante. A expectativa era alta de poder mostrar todo o sentimento que o povo tem pela seleção brasileira. Sabíamos que era o nosso momento, a nossa oportunidade. Desde o primeiro momento, apesar de todos verem a Espanha como a rival, estávamos muito confiantes. Quando confiamos no trabalho que se faz, no final colhemos os frutos.

O DIA: Na final da Copa das Confederações, contra a Espanha, você completou 70 jogos pela Seleção desde sua estreia em outubro de 2006. Como você avalia esses sete anos defendendo o Brasil e quais foram os momentos mais marcantes?

DANIEL ALVES: Todos os momentos são importantes e foram fundamentais na minha vida e na minha trajetória na Seleção. O mais recente vai ficar marcado, por tudo o que aconteceu, por ter jogado uma final em um estádio tão histórico como o Maracanã, contra a melhor seleção do mundo e poder ganhar... Esse momento terá lugar especial na minha trajetória, sabendo que todos foram especiais, mas esse terá um cantinho especial.<EM>

O DIA: Em termos de experiência o que significa jogar uma Copa do Mundo?

DANIEL ALVES: A Copa do Mundo é a melhor competição de seleções, é o sonho de todo jogador poder conquistar esse título. É com essa esperança e humildade que tivemos até o momento que vamos seguir, mas com o sonho de um dia ter esse título na carreira. É essa paixão que desperta. Estamos no caminho correto. Se continuarmos nesse caminho, as chances são muito grandes. O caminho é muito longo, muito complicado, mas o final é maravilhoso.

O DIA: O que o Felipão e o Parreira têm de diferente quando vestem a Amarelinha?

DANIEL ALVES: Esses dois são especiais porque impõem respeito. Se eles te propõem uma coisa, você abraça e vai até o final. São tocados pela varinha mágica de Deus. Espero que, nos momentos difíceis, possamos nos fortalecer e, nas horas felizes, desfrutar muito. Temos que saber aproveitar todos os momentos. Os difíceis virão e temos que aceitá-los e crescer como Seleção. Com humildade e trabalho, o importante não é falar, é seguir fazendo.<MC4><QA0>

Daniel Alves brinca com peruca ao lado de Dante na comemoração do título da Copa das ConfederaçõesCarlos Moraes / Agência O Dia

O DIA: Você era um dos jogadores que participavam do batuque na seleção brasileira e o Felipão até brincou dizendo que a “bandinha era ruim”. O que vocês tocavam?

DANIEL ALVES: Felipão é gaúcho! O que você quer? Que ele goste de pagode (risos)? Impossível! Pagode está no sangue do baiano. Impossível dois baianos (Daniel e Dante) comandarem um pagode ruim. Só que não dá para agradar a todos. Felipão deve ter seus gostos e são respeitáveis, mas sabendo que ele vai ter que nos aguentar por muito tempo, se Deus quiser (risos).

O DIA: Antes da final da Copa das Confederações, entre Brasil e Espanha, você brincou dizendo que teria uma amnésia naquela noite para esquecer dos seus amigos de Barcelona. Deu para brincar com os jogadores espanhóis após o título do Brasil?

DANIEL ALVES: Eu brinquei, mas tenho respeito por eles e admiro muito todos eles. Quando você perde, é delicado, a dor é muito grande, não tem tempo para brincadeira. Tenho certeza de que, em algum momento, vai coincidir esse assunto e vamos poder brincar porque eles são fenômenos e têm meu respeito e admiração sempre.

O DIA: Durante a Copa das Confederações, Neymar brincou dizendo que você foi quem mais “encheu o saco” para ele acertar com o Barcelona. Quais foram os seus argumentos para convencê-lo a ir?

DANIEL ALVES: Falei da grande instituição, da grande equipe, dos companheiros. Tentei passar para ele, até porque quero sempre o melhor para os meus amigos. Tenho certeza de que ele, para crescer como jogador, para lutar por uma Bola de Ouro, para ser o melhor do mundo, tem que ir para um time que pode proporcionar isso para ele. Tenho certeza de que o Barcelona vai proporcionar isso e estamos aqui para ajudá-lo a estar sempre no pódio pela luta da Bola de Ouro.

O DIA: Qual o peso da saída do Tito Vilanova e o que esperar do novo treinador, Gerardo Martino?

DANIEL ALVES: É um treinador (Martino) que eu ainda não conheço a filosofia de trabalho, mas espero que seja tão vitoriosa quanto o clube. Com o Tito é uma perda importante, não porque perdemos um treinador, mas porque perdemos um ser humano fantástico, admirável. Mas, quando você envolve a luta pela vida, não temos outras prioridades. A dele é essa, lutar com todas as forças para sair dela. Nós mandamos todas as forças para que ele possa conseguir. Futebol, nessa ocasião, é secundário.

O DIA: Pretende encerrar sua carreira no Barcelona?

DANIEL ALVES: Não. Seria hipócrita se dissesse isso. Até mesmo porque pretendo encerrar minha carreira onde comecei, pelo Bahia ter me apresentado ao futebol. Não sei se eles vão me querer lá, mas eu pretendo e espero que assim seja. Meu objetivo é ir até onde o Barça me aguentar.

O DIA: Você fez uma participação no filme ‘Guerra de Canudos’. Toparia voltar às telas? Contracenaria com quem?

DANIEL ALVES: Voltaria a fazer tudo que fiz na minha vida. Não só ‘Guerra de Canudos’, como tudo. Se eu pudesse contracenar, seria com o Thiago Martins, que é fenômeno, fantástico. É admirável a forma que ele leva a profissão. Admiro muito os atores! Admiro a profissão, de você vender a verdade naquele momento. Admiro todos, mas acho que o Thiago seria mais a minha ‘vibe’.

O DIA: Seu pai é palmeirense e montou o time Palmeiras de Juazeiro, em homenagem ao clube paulista. Seu Domingos sonhou em vê-lo no Palmeiras? Onde você jogaria: no São Paulo ou no Palmeiras?

DANIEL ALVES: Não faz essa pergunta! Sou são-paulino. Sou profissional e meu pai montou o time. Eu quero jogar futebol, que eu amo. Nunca digo que não vestiria a camisa de um time até por respeito a própria entidade. Nunca falaria isso. Mas, se você perguntar, um ou outro, evidente que seria o São Paulo, por ser torcedor.

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