Por pedro.logato

Rio - O projeto social criado em 2004 para ajudar jovens carentes deu lugar a uma “fábrica de jogadores” que chegou ao topo do lucro em 2013. Com a venda de Paulinho — para o Tottenham — e Vitinho — para o CSKA Moscou —, o Audax ganhou cerca de R$ 37,8 milhões com a porcentagem a que tinha direito, valor maior do que a receita bruta das filiais do Rio e de São Paulo em 2012 (R$ 33,1 milhões), segundo o balanço do clube. Para repetir o feito, nova safra de revelações já está a caminho.

Rodrigo Love ao lado de Itamar Rodrigues%2C coordenador da base do AudaxCarlos Moraes / Agência O Dia

Com equipes sub-15 e sub-17, o antigo Sendas se viu obrigado a ter um time profissional para as competições de base no Rio, em 2007. Apesar de ter chegado à elite carioca em 2013, o Audax não abandonou seu carro-chefe.

“O objetivo inicial era o lado social, mas o projeto cresceu. O Audax é um clube formador que busca novos valores. O time profissional chegar à 1ª divisão foi uma consequência da base”, afirmou o coordenador técnico da base do Audax, Itamar Rodrigues.

Com um CT de dar inveja aos quatro grandes clubes cariocas, em São João de Meriti, o Audax tem um plano a longo prazo para lucrar. Vitinho e Paulinho são os exemplos de sucesso, mas outros jogadores foram cedidos em acordos parecidos: empréstimo inicial, com valor fixado para compra e percentual em futura venda (normalmente 40%).

No Flamengo são três (Matheus da Cruz, Matheus Trindade e Rafael), fora Samir e César nos profissionais. O Flu levou Jobson, o Bota, Yuri, o Corinthians pegou Antonio Carlos e o Vasco está perto de contratar um.

Para encontrar novas promessas, o Audax tem um processo de peneira que pode durar um mês. Segundo Itamar, o número de inscrições mensais chega a 400. O processo é dividido em três fases — na primeira, o garoto tem três treinos para agradar. Se passar, tem mais dias para treinar e ser analisado.

Quem consegue entrar tem direito a alimentação, planos de saúde e odontológicos, seguro contra acidente pessoal, aulas de inglês e reforço de português. São cerca de 70 jovens treinando, de acordo com a filosofia do clube. “O que mais valorizamos é a qualidade no passe e a posse de bola”, disse Itamar.

Com exceção de Vitinho, os jogadores revelados no Audax que mais se destacaram são do meio para trás, como Wellington Silva, João Filipe (x-Botafogo), Rafael Donato (Bahia) e Rafael Carioca (ex-Vasco). Não é coincidência. “Zagueiros, laterais e volantes temos a obrigação de formar. Do meio para a frente a qualidade técnica é muito particular”, explicou Itamar.

Primo de Love é um das apostas do Audax

Tal como primo famoso%2C Rodrigo é atacanteCarlos Moraes / Agência O Dia

De olho no futuro, o coordenador da base do Audax, Itamar Rodrigues, lista pelo menos dez nomes entre 15 e 20 anos, que considera apostas para serem novos ‘Paulinhos’ e ‘Vitinhos’. Um deles é o atacante Rodrigo Love, primo de Vágner Love.

Após passagem pelo mirim do Fluminense, onde não ficou, o garoto de 17 anos foi descoberto pelo Audax em um torneio no Espírito Santo, quando defendia sua equipe de uma escolinha em Bangu.

Apesar de ainda estar no juvenil, Rodrigo Love já tem treinado entre os profissionais — disputou um amistoso contra o Bonsucesso — e espera repetir o sucesso do primo famoso.

“Acho que somos parecidos. Jogo com força, velocidade e chuto com as duas. A responsabilidade é maior, muita pressão da própria família”, disse Rodrigo, que assumiu o apelido do primo.

“Quando ele está no Rio conversa comigo. Já me deu dicas de como bater na bola, me posicionar e me movimentar. Virei atacante por causa dele, do Ronaldo e do Romário”.

Audax se preocupa com educação dos atletasCarlos Moraes / Agência O Dia

Brincos, bonés e penteados diferentes são proibidos

Uma preocupação do Audax com a garotada é em relação à postura. Na contramão das revelações do futebol brasileiro, que abusam de penteados diferentes, brincos e bonés, o clube não aceita essa moda — nem mesmo jogador chegando de chinelo —, assim como o técnico da Seleção de base, Alexandre Gallo.

“Às vezes temos que ser chatos, mas postura é importante. Não é fácil, sempre tentamos mostrar que não pode se preocupar mais com cabelo do que com o jogo. Vaidade não é o mais importante”, explica Itamar, que vê uma tendência: “O curioso é que depende muito da posição. Os atacantes querem mais esse visual, por conta de Neymar e Cristiano Ronaldo”.

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