Por pedro.logato

Rio - Giovane Gávio completou neste sábado, 43 anos, deixando claro que é um técnico de vôlei e que não desistiu do sonho de montar uma equipe, agora já pensando na temporada 2014/2015. Depois de quatro anos dirigindo o Sesi, com direito a um título da Superliga, em 2011, o bicampeão olímpico não teve o contrato renovado com o time paulista e decidiu, então, colocar em prática o seu próprio projeto. Mas o ídolo das quadras — que já teve o seu nome apontado como possível candidato a deputado pelo PSDB por Minas —, não descarta entrar na política, mesmo que seja mais para frente. Enquanto não define o futuro, ele fica à beira da quadra para ver os filhos Giulia, de 16 anos, e Gianmarco, de 15, atletas das categorias de base do Flamengo.

Giovane pensa em ser políticoAndré Mourão / Agência O Dia

ODIA: Você apresentou em algumas cidades o projeto de um time de vôlei. Como foi a experiência?

GIOVANE: Foi uma experiência diferente e frustrante porque não consegui nada de positivo. Mas foi bom para entender um pouco a realidade e me posicionar de uma forma diferente. Estava tentando fazer um time muito competitivo, caro, e acho que o momento do país não permite isso. Vamos tentar fazer um time menos caro, com mais jovens. É o que eu estou tentando montar agora para a próxima Superliga. Esse é o projeto que eu estou querendo desenvolver e já tenho apresentado porque as empresas já estão começando a discutir os orçamentos. Continuo na luta.

ODIA: Você está trabalhando para a temporada 2014/2015?

GIOVANE: Estou pensando em maio de 2014. Para as empresas, é até melhor porque você está participando do momento em que estão construindo o orçamento do ano que vem.

ODIA: Como será a sua rotina agora, após quatro anos como técnico do Sesi?

GIOVANE: Dentro da minha cabeça, o que estava planejado era dar continuidade ao meu trabalho. De certa forma, está sendo bom porque estou mais próximo da família, acompanhando os meus filhos, fazendo coisas que não fazia. Estou tendo tempo para passar o fim de semana em casa. Mas sinto falta. Na verdade, queria já estar treinando (risos).

ODIA: Como está acompanhando a Giulia e o Gianmarco?

GIOVANE: Acompanhar mais o crescimento deles dentro das quadras está sendo muito bacana. Se eu pudesse, daria até treino para eles (risos). Ainda estão naquela fase de incertezas, mas, aos poucos, estão se divertindo com o vôlei.

ODIA: Você continua praticando golfe?

GIOVANE: Dentro do possível. Você tem que praticar todo dia. Para aprender mais velho, tem que ser assim. Mas tenho me divertido. Lá, o joelho não dói (risos) e tem ainda as amizades bacanas.

ODIA: Você pensa em entrar na política ou foi sondado?

GIOVANE: Estou sendo sondado. Na verdade, estou conhecendo. Tive oportunidade de conversar com o Aécio Neves, que admiro. Pelo que ele fez em Minas, acho que trabalhou bem. Como bom mineiro, acho que conversar sempre pode. Mas não tomei nenhuma decisão ainda porque o meu sonho continua sendo o esporte. Vamos ver, deixo em aberto.</CW><CW-5>

ODIA: Você tem vontade de entrar na política?

GIOVANE: Em algum momento da minha vida, eu vou, não sei se agora ou no futuro. Um dia ainda vou tentar como uma opção para representar o povo e retribuir com projetos. É uma coisa que penso há muito tempo, não é de agora. Hoje é uma filiação, mas o futuro não sei o que me reserva (risos).

ODIA: Como você acompanha a Seleção, com o Lucarelli despontando?

GIOVANE: São os resultados do investimento e da organização do vôlei brasileiro. A cada ciclo olímpico, a gente melhora como esporte. O Lucarelli é resultado disso, assim como Renan, Isac e jogadores da Seleção juvenil... Vamos ter o Mundial sub-23 e vamos ver jogadores interessantes. Ainda sonho continuar como técnico para trabalhar com esses caras. O novo projeto que estou montando é para eles. O meu time, se conseguir patrocinador, terá no máximo dois jogadores consagrados, que eu acho que precisamos para formar um time equilibrado, e os outros serão jovens de 20 a 22 anos.

ODIA: Você tem planos no vôlei e não descarta a política. Como está isso na sua cabeça?

GIOVANE: Tenho feito reuniões todas as semanas para mostrar o projeto do vôlei. Não parei. Só mudei. Antes estava fazendo um projeto caro. Agora, não.

ODIA: Até quando você acha que seguirá como técnico?

GIOVANE: Sou técnico, não parei de ser. Estou trabalhando para ser técnico o tempo inteiro. Política, se acontecer, uma das condições é que, nesse momento, a carreira de técnico não aconteça. Se eu continuar como técnico não vou sair para nenhum cargo. Agora, se eu não conseguir e for uma proposta interessante não financeiramente, mas se eu puder trabalhar pelo esporte, talvez eu repense.

ODIA: Se não for agora, a política será o futuro mesmo?

GIOVANE: A minha melhor idade talvez seja na política (risos).

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