No Jacuipense, Nadson se prepara para enfrentar a 'torcida-técnico'

Clube inova e permite que torcida escale o time por aplicativo

Por O Dia

Bahia - Nadson ganhou o mundo e se notabilizou pelos gols. O atacante relembra com bom humor o costume da Coreia do Sul de comer carne de cachorro. Agora, Nadson se prepara para mais uma novidade. Desta, porém, ele não tem como escapar, como driblou quem lhe oferecia a iguaria na Ásia. No Jacuipense, clube baiano, Nadson vai ser escalado pelos... torcedores. O Leão do Sisal inovou e lançou um aplicativo que permite à torcida definir quem vai ser titular.

Nadson faz elogios ao JacuipenseDivulgação

"Olha, é um fato novo. Vai gerar um pouco de polêmica. É um pouco estranho você trabalhar a semana inteira, treinar bem e chegar o fim de semana e ser escalado pelo torcedor. Mas é válido, dá motivação", diz Jadson, que não poupou elogios ao clube:

"O Jacuipense está no caminho certo, paga em dia, tem uma estrutura muito boa, concentração, alimentação. Os jogadores querem vir para cá. Pode ter certeza de que daqui a três quatro anos vai estar no cenário nacional."

Nadson garante fazer valer o apelido de Nadgol até hoje. Aos 31 anos, o atacante está satisfeito no Jacuipense.

"Pretendo jogar mais uns dois, três anos. Pretendo ficar aqui até encerrar a carreira. Chegou o momento de ficar com a família, tenho contrato até o fim de 2014. Estar com a família é mais uma motivação para mim", explica.

Nadson na época de Corinthians%3A ele fez gol no BotafogoArquivo

O atacante passou por clubes como Vitória, Bahia, Sport, Corinthians e por países como Coreia do Sul, Japão e Catar. Ele não se esquece do costume de se comer carne de cachorro na Coreia.

"Não tive coragem, é muito estranho. Quando ganhávamos título, o time comemorava em restaurante com carne de cachorro. Eu pegava o meu carro e ia embora. Não dava para comer. Pedia o meu dinheiro e ia embora, até ficavam chateado comigo", relembra e se diverte Nadson.

Revelado pelo Vitória, Nadson se destacou com gols. Ao lembrar momentos marcantes da carreira, o atacante recorreu aos tempos de Rubro-Negro Baiano.

"Lembro de um BaVi, entrei faltando 15 minutos e fiz três gols. Outro momento marcante foi contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil (2003). Marquei cinco gols nos dois jogos. Acho que sou o único jogador a fazer quatro gols no Marcos no Palestra Itália (o Vitória fez 7 a 2 no segundo jogo). Sempre coloco este jogo para ver. Uma fase muito boa, fui convocado para seleção brasileira (de base)."

De origem humilde, do interior do Bahia, Nadson valoriza tudo o que o futebol o proporcionou.

"Futebol para mim é tudo. Minha vida foi muito difícil. Graças a Deus não passei fome, mas a dificuldade era grande. Meu pai trabalhava na fazenda e ganhava muito pouco. Não estudei, parei na quarta série, mas hoje falo quatro idiomas. Fui mecânico, vendi caldo de cana, fui ajudante de pedreiro. Fiz de tudo, isso que me dá valor. A pessoa tem de dar valor ao futebol e agradecer a Deus a oportunidade. Posso dar conforto para os meus filhos, esposa e família", afirma.

Ao falar sobre a carreira, Nadgol lamenta apenas as lesões que sofreu. De acordo com ele, as cirurgias (operou o tornozelo duas vezes e o tendão de Aquiles) impediram o passaporte para a Europa.

"Eu me sinto um cara muito feliz, realizado. Depois de 2005 eu tive muitas lesões, mas deu para ir bem. As lesões me atrapalharam, senão estaria na Europa facilmente, com a característica de fazer gol. Fiz quatro cirurgias. Foram quatro anos de recuperação. Mas só tenho de agradecer a Deus. Fiz o meu pé de meia", argumentou.

Carrasco carioca e quase no Vasco

Botafogo e Flamengo sentiram na pele o faro de artilheiro de Nadson. Pelo Corinthians, em 2005, ele estreou justamente com um gol sobre o Fogão. O Rubro-Negro sofreu antes, em 2003.

"Eu tinha sorte contra os cariocas. Em 2003, no Maracanã, fiz um gol no Flamengo, em cima do Julio Cesar. Foi espetacular", na época, Nadson defendia o Vitória, que perdeu por 2 a 1.

Nadgol quase veio para o Rio. Ele esteve perto de defender o Vasco em 2009, mas optou pelo Vitória.

"Tive uma oportunidade de ir para o Vasco, estava praticamente tudo fechado, mas teve uma conversa entre Vitória e o Suwon Samsung Bluewings. Daí preferi ir para o Vitória", encerrou.

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