No Al-Jazira, Ricardo Oliveira descarta voltar para o Brasil: 'Não penso nisso'

Dono de grande história no exterior, atacante faz balanço positivo da carreira e espera vida longa nos Emirados Árabes

Por O Dia

Ricardo Oliveira pretende continuar nos Emirados ÁrabesEfe

Emirados Árabes - Ricardo Oliveira está completando sua quinta temporada no Al-Jazira, dos Emirados Árabes, e o objetivo é que a história no clube tenha mais capítulos. Com mais dois anos de contrato, o atacante admite que não tem o desejo de retornar ao Brasil para dar continuidade à sua carreira. A ideia do atleta de 33 anos é seguir sua uma boa trajetória em terras no mundo árabe, sem projetar nenhum tipo de carimbo brasileiro em seu passaporte.

"Tenho mais dois anos de contrato aqui no Al-Jazira e uma coisa que eu tenho bem clara na minha cabeça é que não penso em voltar ao Brasil para encerrar minha carreira. Provavelmente isso deve acontecer por aqui. Vou esperar esses dois anos, ver qual será a intenção do clube e saber como as coisas ficarão. Enquanto eu estiver fisicamente bem, estarei me dedicando. Temos de fazer as coisas com paciência, sem precipitação. Acho que as coisas precisam ir por esse caminho. Não penso em voltar ao Brasil, meu desejo é permanecer aqui e, consequentemente, quando chegar a hora, encerrar a carreira por aqui", afirmou.

No Al-Jazira desde 2009, Ricardo conquistou duas vezes a Copa do Presidente e, além do constante posto de artilheiro, já se tornou o capitão da equipe árabe. Para o atacante, a trajetória no clube de Abu Dhabi tem um sabor especial, desde os números dentro de campo até a conduta do lado de fora dos gramados.

"Já criei uma identidade com o clube, venho fazendo uma história no Al-Jazira. Estou a um gol de me tornar o maior artilheiro da equipe no campeonato nacional e alguns outros números vêm me deixando muito feliz aqui. Acho que, dos poucos estrangeiros que já passaram pelo clube, posso me analisar como um dos mais vencedores. Tenho o respeito de todos, a amizade de cada um. Claro que isso tudo se deve ao nosso caráter, ao profissionalismo, à conduta dentro e fora de campo, mas só tenho a festejar. Todo ano tenho sido o artilheiro do time, hoje sou o capitão... Tenho construído uma boa história", disse o atacante, que também projetou o bom desempenho da equipe em mais uma temporada.

"Estamos todos muito animados, todo mundo confiante. Nosso time está reformulado e existe uma grande expectativa da diretoria e também dos torcedores. Temos uma boa equipe. Um elenco jovem e com uma mescla de jogadores experientes. Vamos com tudo para conseguir uma grande temporada aqui no Al-Jazira", acrescentou.

Atacante tem se destacado no Al-JaziraDivulgação

Craque analisa movimentação do futebol brasileiro

Ricardo Oliveira não deixa de acompanhar o futebol de seu país. O atacante analisa como natural a opção dos jogadores em sair do Brasil cedo.

"Acompanho o futebol brasileiro de longe e vejo que poucos clubes se reestruturaram suficientemente para conseguir manter jogadores de alta qualidade. O Brasil sempre foi uma escola formadora de atletas que acabavam vendidos. Acho que é preciso entender o momento de cada um e aceitar suas decisões", disse.

Sobre a questão da precoce saída de alguns jogadores do Brasil, o pensamento de Ricardo é bastante abrangente. Segundo o atleta, é necessário que se entenda as projeções de cada atleta para suas carreiras, sendo necessário o entendimento das boas oportunidades que surgem no exterior para a evolução profissional de cada um.

"Essa questão do jogador deixar o país cedo é relativa. Cada situação é uma situação. O caso do Neymar, por exemplo. Era evidente que ele iria sair do Brasil, quando ele achou que era o momento adequado ele tomou sua decisão e foi para um grande clube. Existem outros casos que os atletas têm um mercado alternativo também, como chamamos no caso da Rússia, Ucrânia, China, Japão... Acho que essa saída para o exterior é mais uma oportunidade de preparar o futuro, então isso vai muito do que cada atleta projeta para a sua carreira", analisou.

Momento marcante%3A Fase no BetisDivulgação

Carreira de sucesso é festejada pelo atacante

Ricardo coleciona grandes títulos. Os números do atacante foram positivos em cada clube pelo qual passou e isso faz o atacante não lamentar qualquer fato ou se queixar de algum sonho não realizado na carreira. Nem mesmo a lesão que o deixou fora da Copa do Mundo de 2006 faz Ricardo Oliveira fazer um balanço negativo de sua trajetória, que para ele é muito mais do que sonhou conquistar um dia.

"Sou muito agradecido ao futebol devido a tudo que ele me proporcionou. Eu nunca idealizei, nem sonhei, alcançar o que eu consegui no futebol. Saí de um clube modesto, porém, muito tradicional e querido em São Paulo, que é a Portuguesa. Foi lá, em 2002, que fui convocado para a seleção brasileira pela primeira vez e, a partir daí, as portas se abriram para mim. Fui para o Santos, Valencia, Betis... Consegui grandes conquistas com a Seleção. Depois veio o Milan, pelo qual ganhei a Liga dos Campeões. Enfim... O que mais tenho a fazer é agradecer ao futebol. Não consegui retribuir tudo o que ele me deu nessa vida. Não que eu esteja conformado com o que eu sou hoje, mas sim muito agradecido ao que o esporte me deu. Não fico lamentando o que passou. Estou muito satisfeito com tudo o que consegui no futebol", analisou Ricardo, que citou a passagem pelo Betis entre 2004 e 2006 como a mais marcante da carreira.

"Os meus momentos com a Seleção foram muito importantes, muito bons. Ganhei dois grandes títulos e isso ficou marcado. Mas no ano que cheguei ao Betis e conseguimos o título da Copa do Rei e a inédita classificação para a Champions foi muito especial. Fiz os dois gols da classificação e sem atuar no primeiro jogo. Fui o protagonista, acho que esse foi o grande momento. Depois daí, as coisas foram acontecendo mais naturalmente. Acho que esse momento foi o que mais me marcou", concluiu.

Nos 13 anos de carreira, Ricardo Oliveira já conquistou a Copa América e a Copa das Confederações pela seleção brasileira, em 2004 e 2005, respectivamente, a Liga Espanhola e a Liga Europa pelo Valencia na temporada 2003/04, a Copa do Rei 2004/05 pelo Real Betis, o Campeonato Brasileiro de 2006 pelo São Paulo, a Liga dos Campeões 2006/07 pelo Milan e a Copa do Presidente de 2010/11 e 2011/12 pelo Al-Jazira.


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