Edevaldo: Um homem chamado cavalo

Ex-lateral-direito, que brilhou no Fluminense e na seleção brasileira nos anos 80, hoje tem a missão de revelar novos craques na base do Tricolor

Por O Dia

Rio - Esqueça o apelido animal que acabou virando sobrenome no mundo da bola. Ou o cabelo black power, outra velha marca registrada. Nos dias de hoje, o ex-lateral-direito Edevaldo Cavalo é o professor Edevaldo de Freitas, ou simplesmente o Dedê, como é chamado carinhosamente nas divisões de base do Fluminense.

Edevaldo continua ao lado do FluAndré Mourão / Agência O Dia

O ex-jogador, que brilhou nos anos 80 vestindo a camisa do Tricolor carioca, Internacional, Vasco, Porto e seleção brasileira, agora tem a missão de revelar novos craques, em Xerém.

Que o digam Wellington Nem, Samuel, Biro Biro, Maicon, Digão e Lenny, alguns de seus pupilos. Mas nem todas as promessas tiveram a mesma sorte. Há quatro meses, Edevaldo perdeu para a criminalidade uma de suas maiores apostas: o volante Gabriel Costa, de 18 anos, que foi assassinado por traficantes de Nova Iguaçu, após se envolver em roubos de carro na região. Seu corpo até hoje não foi encontrado.

“Ele chegou no mirim. Vi aquele menino crescer, dei conselhos. O Fluminense fez tudo, mas ele não ouviu ninguém. Fiquei arrasado”, lembra Edevaldo, que chegou a conversar com Gabriel pouco antes da tragédia. “Chamei o garoto no canto e perguntei o que queria da vida. Ele só olhava para baixo. Não me encarava. Faltou estrutura familiar”.

Antes disso, Edevaldo já havia testemunhado a interrupção de outras promissoras carreiras por causa de drogas. Casos do atacante Maicon, suspenso por 16 meses pelo STJD, e do<MC0> lateral-esquerdo Ulisses.

Histórias de vida bem diferentes da trajetória que o ex-jogador percorreu no futebol. Edevaldo tinha apenas 14 anos quando deixou a cidade natal, Campos, para tentar a sorte no futebol carioca.

Edevaldo mostra álbum da seleção brasileiraAndré Mourão / Agência O Dia

Naquela época já chamava a atenção pela força e entrega nos treinos. Depois de passar por todas as categorias de base, ganhou a primeira chance no profissional e não desperdiçou. “Treinava até a exaustão. Nos testes físicos era sempre o primeiro. Corria muito, chutava forte, soltava só petardo. Não demorou a me compararem a um cavalo”, diz, sorrindo, para logo revelar o segredo de tanta força.

“A culpa é da cana-de-açúcar (risos). Meu pai me dava muito melaço com farinha, quando era pequeno. Só comia coisas saudáveis. Até hoje não como besteiras e ainda bato um bolão nas peladas. Mal não fez!”, diverte-se.

Edevaldo ao lado de LeandroAndré Mourão / Agência O Dia

Professor mudou a vida de Leandro

Quando não está lapidando joias, em Xerém, Edevaldo trabalha como professor particular de um jogador excepcional. Há 13 anos, Leandro José, 34 anos, mal conseguia sair do chão.

Hoje não só pula como joga futebol. “Graças às aulas, o Leandro melhorou muito a coordenação motora e passou a ter mais autoestima. O Edevaldo não é só um professor carinhoso, é quase um irmão mais velho para o meu irmão”, revela Lívia Cardoso.

Sonho com uma chance como técnico

Aos 55 anos, Edevaldo sonha com uma chance como treinador. Experiência não lhe falta, após 22 anos de carreira, incluindo uma Copa do Mundo. Recentemente, ele encarou o desafio de comandar os reservas dos juniores do Fluminense na conquista do título estadual.

Na véspera da final, o time principal viajou para uma excursão ao exterior, mas Edevaldo não deixou a peteca cair. “Foi 1 a 0, mas poderíamos perder por até 3 a 0 que ainda iria para os pênaltis. Jogamos bem e poderíamos ter vencido. Depois do jogo, o Marcelo Veiga (treinador dos juniores) me ligou dando os parabéns”, conta Edevaldo.

“Estou pronto para trabalhar na Segunda, Terceira Divisão ou até como auxiliar da Série A. O importante é começar”, acrescenta.

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