Por rafael.arantes

Rio - Versátil, polivalente, pau pra toda a obra. Por mais de 15 anos, Rubens Galaxe cansou de ouvir elogios sobre a facilidade em atuar em várias posições no futebol. Não era exagero. Graças ao talento e à aplicação tática, o “volante da Máquina Tricolor” jogou praticamente nas 11 posições.

“Eu adorava jogar futebol. Só não fui goleiro e zagueiro central, talvez pelo tamanho, porque se fosse mais alto... Mas nunca me opus a nada. Eu queria era jogar”, revela o ágil curinga, que por conta de sua habilidade escreveu de vez seu nome na história do Fluminense por ser o sexto jogador que mais vestiu a camisa tricolor: 463 jogos.

Hoje, o ex-jogador, de 61 anos, tenta colocar nos trilhos outra máquina. Há seis anos ele é coordenador de postos de habilitação do Detran, na área metropolitana.

“É como se eu fosse coordenador da base, lá em Xerém. Eu fiscalizo e ao mesmo tempo dou uma direção aos funcionários”, compara. “Estava sem trabalhar como treinador. Às vezes, o futebol não te dá uma oportunidade”, lamenta.

Rubens%3A o volante da máquina galaxeCarlos Moraes / Agência O Dia

Desde que encerrou a carreira com apenas 33 anos, no Goytacaz, Galaxe voltou a estudar. Depois de deixar pela metade o curso de Economia, se formou em Administração de empresas e fez pós-graduação em gestão esportiva na Fundação Getúlio Vargas.

“Também fiz cursos de treinador, isso me ajudou alguma coisa. Mas eu sempre quis trabalhar no Fluminense”, confessa Galaxe, que intercalou o período de estudos com o trabalho de treinador da base tricolor e interino do profissional, em 1989.

Depois do Flu, ele chegou a trabalhar no futebol árabe. De volta ao Brasil, foi auxiliar técnico de Edinho no Flu em 1991 e 1993, e no ano seguinte treinou os juniores do Botafogo, antes de seguir para o Detran: “Eu tinha um sonho, fazer o planejamento da equipe de base do Fluminense. Desde a escolha dos tipos de treinos, levando em consideração a idade, intercalando com a parte física, técnica e tática”, ressalta.

Se depender de sua história no Flu, o velho sonho poderá se tornar um dia realidade. Desde que trocou as animadas peladas de Conselheiro Josino, pequeno distrito de Campos onde nasceu, pelas Laranjeiras, o Fluminense passou a ser sua segunda casa. Com a camisa tricolor, ele conquistou os Campeonatos Cariocas de 1971, 1973, 1975, 1976 e 1980, entre outros tantos títulos até deixar o clube, em 1982.

“Poderia ter jogado mais. O meu contrato terminou e como eu já tinha dez anos de profissional me deram o passe livre. Mas não guardo rancor, tem coisas que o próprio tempo apaga”, completa.

Rubens fez história no FluArquivo

Chuva leva embora sonho de uma conquista nacional

Os olhos de Rubens Galaxe brilham mesmo quando o assunto é a Máquina Tricolor, o timaço que marcou época nos anos 1970, mas que não conseguiu ser campeão brasileiro.

“Os deuses do futebol não quiseram que a Máquina ganhasse. Foi um absurdo do futebol”, lamenta o ex-volante da Máquina, que até hoje não se conforma com a eliminação para o Corinthians, nos pênaltis, na semifinal do Brasileiro de 1976.

“Enfrentamos um time inexpressivo e debaixo de muita chuva. No tempo normal foi 1 a 1, mas perdemos nas penalidades, a chuva atrapalhou”, justifica.

Mas nem a falta de um título nacional tirou de Galaxe o orgulho de ter feito parte daquela geração: “O time tinha Carlos Alberto Torres, Gil, Pintinho, Paulo César Caju, Miguel, Edinho, Rivellino, e eu no meio deles. Não é qualquer um que se intromete num meio desse. Por isso o prazer, o orgulho de ter feito parte da Máquina”.

Uma joia lapidada por Zezé Moreira e Pinheiro

O baixinho bom de bola, que marcava como um ‘carrapato’ e exibia técnica refinada, não demorou muito a chamar a atenção do técnico Pinheiro na base tricolor, no início dos anos 1970. Algum tempo depois, surgia no Fluminense um volante moderno.

“Além da vontade, eu tinha velocidade e força. O Pinheiro percebeu isso e me deu a função de ser um volante moderno, marcando muito, mas também chegando na frente como elemento surpresa”, lembra Galaxe, que ainda aprendeu muito com Zezé Moreira, técnico do Flu em 1973.

“Ele disse que eu poderia ser como o Telê e fazer o quarto homem pela direita. Eles viam que eu poderia me deslocar e fazer várias funções, porque era muito disciplinado”.

Após deixar o Flu, Galaxe voltou a se encontrar com Pinheiro, no Goytacaz, em 1985. “ O técnico que me revelou foi também com quem parei. Ele foi marcante, ajudava a criar não só o jogador, mas o homem. Só tenho elogios”, completa.

Rubens posa para foto com o elenco do FluArquivo


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