Rússia - Já são quatro anos defendendo as cores do Spartak Moscou. Desde que chegou ao clube da capital russa, Rafael Carioca vem conseguindo escrever uma boa história com o clube local. Titular na equipe de Valeriy Karpin, o brasileiro já se mostra totalmente adaptado às condições do país europeu. Após deixar o Brasil ainda muito jovem, com apenas 19 anos, a visibilidade do exterior e a boa estrutura para se trabalhar na Europa acabaram encantando o volante.
Agora, mesmo após ter retornado ao Brasil para uma rápida passagem pelo Vasco, o jogador é só alegria na Rússia. Se o lado triste fica por alguns casos de racismo que já presenciou no exterior, o lado positivo fica pela boa evolução como profissional. Entre os diversos momentos, Rafael chega a mencionar o gol marcado sobre o Benfica na Liga dos Campeões de 2012 como o lance mais marcante. O sonho de defender a seleção brasileira e de voltar ao Brasil futuramente ainda são assuntos em pauta da promissora carreira do atleta.
O DIA: Como analisa seu momento atual no Spartak?
Rafael Carioca: Estou em um ótimo momento aqui no Spartak Moscou. Há quatro anos que estou na Rússia, sempre jogando entre os titulares e tendo boas atuações. Tanto é que já foram dois vice-campeonatos russos. Isso tudo é resultado do meu esforço e dedicação e, é claro, da estrutura que o clube me proporciona.
Qual o momento que mais lhe marcou no clube russo?
Um momento que eu não consigo esquecer é quando fiz um gol sobre o Benfica na Liga dos Campeões (vitória da equipe russa por 2 a 1, em casa, em 2012). O estádio estava lotado e foi um jogo muito importante. Após grande jogada da nossa equipe, invadi a área e toquei na saída do goleiro. Foi um momento marcante e que não sai da minha cabeça.
Como foi a adaptação na Rússia? O que foi mais complicado?
Apesar de ter jogado no Sul do Brasil, onde faz muito frio, tive muita dificuldade com o clima da Rússia, onde a queda de temperatura é muito maior. Sofri um pouco no começo, mas acabei acostumando. Depois disso, fui para o Rio, onde o calor é grande, e quando voltei para a Rússia não tive tantas dificuldades. Outra questão que é complicada é a da língua, que é muito difícil de falar e de entender.
Já presenciou algum ato de racismo no país?
Presenciei algumas vezes a torcida hostilizando certos atletas mas, graças a Deus, nunca tive problema com isso aqui. Mas acho lamentável que esse tipo de situação ainda ocorra.
Como analisa sua passagem pelo Vasco?
Minha passagem pelo Vasco foi boa. Joguei quase todas as partidas e batemos na trave no Campeonato Carioca. Foi uma experiência gratificante de conhecer um pouco mais de como é jogar por um clube do Rio de Janeiro.
Tem o desejo de voltar a atuar no Brasil? Pelo Grêmio?
Sim, tenho vontade de voltar a jogar no meu país. Todos sabem do meu carinho e identificação pelo Grêmio e com certeza voltaria um dia. Mas sou profissional e se tiver que jogar em outro clube iria honrar a camisa da mesma maneira.
Qual motivo faz os jogadores brasileiros deixarem o país tão cedo?
Primeiramente pelo sonho de jogar na Europa, ao lado de grandes jogadores, ídolos e com as melhores estruturas. Em segundo lugar, pela parte financeira. A grande maioria dos atletas de futebol no Brasil é de origem humilde e a ida para a Europa é uma grande oportunidade de mudar esse cenário.
O que falta para coroar sua carreira no futebol?
O meu sonho e principal desejo é um dia poder ser convocado para a seleção brasileira. Esse é o grande objetivo de todo jogador de futebol. Vou continuar trabalhando para que um dia eu possa ganhar uma chance.