Por rafael.arantes

Rússia - São 31 anos e um novo sonho a cada passo. O experiente zagueiro João Carlos trocou o Anzhi pelo Spartak Moscou no início da temporada europeia e não esconde toda a expectativa sobre a casa russa. Feliz com o momento na nova equipe, o brasileiro revelou que seu maior objetivo para os próximos dois anos de contrato que tem pela frente é fazer a equipe da capital russa voltar a ser campeã. Há dez anos sem conquistar um título - o último foi a Copa da Rússia, em 2003 - os Alvirrubros têm no brasileiro novo aliado para acabar com jejum.

"Meu maior sonho neste momento é ganhar um título com o Spartak. Quando eu assinei o contrato o presidente falou que esperava me ver conquistando um título. O clube é uma grande potência, mas está há dez anos sem levantar uma taça, sendo que antes disso era um grande colecionador de campeonatos. Temos a maior torcida da Rússia e ela está começando a se acostumar a não vencer, quero mudar isso. Quero que a torcida volte a festejar um título e espero estar presente. Vi no clássico contra o CSKA uma coisa que nunca tinha visto. O estádio tinha 90% de torcedores do Spartak e uns 10% do CSKA, isso me motivou ainda mais. Eles merecem voltar a ganhar", disse.

João Carlos quer levar Spartak aos títulosDivulgação

O início no novo clube já anima o brasileiro. Com um bom desempenho nas partidas que vem atuando, João Carlos admite que o fator experiência também soma muito em sua caminhada no Spartak.

"Comecei muito bem aqui, graças a Deus. Fiz uma boa sequência de partidas seguidas, vi a equipe chegar à liderança e, além disso, não há nada melhor do que ter feito uma boa estreia, com uma grande vitória num clássico tão importante. Quando você chega a um novo clube a visão dos companheiros é sempre diferente. Quando você tem uma experiência maior existe um maior respeito, ainda mais aqui no Spartak, que é um elenco muito jovem. Ter feito um nome dentro do país, ser um cara mais experiente... Isso conta muito, os companheiros estão sempre aprendendo com você, mas é preciso manter uma postura também, até para que essa imagem não se perca", analisou João, antes de comentar a expectativa de ainda conseguir defender a seleção brasileira:

"Hoje estou mais tranquilo quanto ao caso Seleção. Quando chegamos a uma certa experiência a gente passa a ficar mais calmo quanto a isso. Tenho esse sonho de jogar pela seleção brasileira, mas espero para, quem sabe?, ter uma oportunidade lá. Enquanto isso deixo o lado torcedor aflorar e estou sempre acompanhando os jogos."

João Carlos em ação pelo SpartakEfe

Zagueiro tem velha rotina na Europa

No Spartak há pouco mais de um mês, João afirma que não vem enfrentando problemas para se adaptar ao novo clube. Na Rússia desde 2011, quando chegou ao Anzhi, o zagueiro revela que o dia a dia na Europa já é totalmente tranquilo em sua vida. Mesmo ao admitir o desejo de retornar ao Brasil, João ressaltou que o surgimento de boas oportunidades no futebol europeu ainda o prende ao Velho Continente, onde já atua por 11 anos, desde quando deixou o Vasco a caminho do CSKA Sofia, da Bulgária.

"São 11 anos no exterior, mas essa última mudança de clube fez com que as coisas ocorressem de maneira mais simples. Continuo morando no mesmo país, na mesma cidade, então foi tudo mais tranquilo. No começo as coisas foram bem mais difíceis. Lá na Bulgária era outro clima, outra cultura, tudo era novidade. A primeira temporada foi muito complicada, mas no ano seguinte já fui aprendendo um pouco do idioma e me adaptando melhor, fazendo as coisas fluírem com mais facilidade. Depois de muitos anos lá acabei vindo para a Rússia e a adaptação foi mais leve. O tempo foi passando e as coisas foram ficando mais fáceis e, ao mesmo tempo, mais difíceis, pois a saudade foi apertando. Às vezes pensava em voltar, mas não poderia deixar uma boa oportunidade passar em branco", comentou João, que admitiu a torcida de sua família para um retorno ao Vasco, clube pelo qual foi revelado:

"A pressão da família é sempre para voltar para o Vasco, que foi onde eu cresci e fiquei quase dez anos. Meu pai, meu irmão e quase todos os meus primos são vascaínos, então existe muito este apelo. Mas tenho de deixar um pouco o lado torcedor de lado e pensar pelo lado profissional, tenho um carinho muito grande pelo clube, mas vamos ver o que pode acontecer no futuro", concluiu.

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