Por pedro.logato

Rio - Das primeiras cortadas durante a infância na Praça Anhangá, em Brás de Pina, ao sucesso no ginásio PalaTrento, do Trentino da Itália, o central Riad não poderia imaginar que retornaria ao lugar onde deu os primeiros passos na carreira. Mas o trajeto de volta para casa contou com uma parada estratégica em um dos bairros mais luxuosos do Rio de Janeiro, que durou apenas uma semana por causa de um café da manhã.

Riad voltou ao Rio de Janeiro%2C após anos foraReprodução Internet

Após 11 anos fora (seis no Sul do país e cinco na Itália), o jogador acertou com o RJX no início do ano e alugou um apartamento em Ipanema por conta da “pressão” do companheiro Thiago Sens, somada à comodidade de morar perto do local de treino — o AABB, da Lagoa. Acostumado a desembolsar cinco euros (cerca de R$15) em um simples café da manhã na Europa, o jogador se assustou ao pagar R$70 na Zona Sul do Rio.

“Foi o ponto crucial. Eu pensei comigo: é, realmente eu tenho que ficar em Brás de Pina, porque, com esse dinheiro, eu compro o café da manhã para a semana inteira. Aquele domingo foi o último. Foi uma escolha pessoal, sem vaidade. O meu lugar é aqui. Tenho meus amigos. No sábado, eu vou tomar um açaí e, domingo à noite, compro um cachorro quente na esquina”, contou.

Saudoso no meio da quadra onde tudo começou, Riad lembra como foram os primeiros toques numa bola de vôlei. “Minha infância foi descalço nesse cimento. Quando eu tinha oito anos, a gente vinha para andar de balanço. Até que eu e meus amigos montamos uma quadra de vôlei. Fizemos dois buracos para colocar os postes e compramos uma rede. Nunca pensei em ter outra profissão, mas também nunca pensei em ser</DC>jogador de vôlei. As coisas foram acontecendo naturalmente”, disse Riad.

O jogador, que teve passagens pela categoria de base do Flamengo, pela seleção carioca e pela seleção brasileira juvenil, colecionou títulos na Itália: foi tricampeão da Champions League, bicampeão da Liga Italiana e bicampeão mundial de clubes, entre outros. De volta ao Brasil, o central já adicionou uma Superliga a sua coleção pelo RJX. Mesmo com tantas vitórias, Riad garante que nada mudou.

“Ter morado na Europa, ter conquistado muitos títulos, ter uma vida até acima da média em relação ao lugar onde eu nasci, não mudou nada. Sou o mesmo garoto nascido e criado em Brás de Pina”, orgulha-se.

Aos 32 anos, Riad não tem dúvidas da importância do bairro em sua vida: “Estar ao lado da minha família é tudo. Aqui vivi momentos de muita recreação com meus amigos, mas também momentos de muita luta, porque eu passava por aqui quando voltava dos treinos.”

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