Por pedro.logato

Rio - Com o título no ATP 500 de Valencia ao lado do austríaco Alexander Peya, Bruno Soares alcançou uma marca importante: finalista em Wimbledon e no US Open, ele chegou a seis títulos nas duplas em 2013, mesmo número de Gustavo Kuerten, o Guga, na temporada de 2001. Antes de se tornar o melhor tenista brasileiro na atualidade — é o terceiro no ranking, melhor posição do país nas duplas —, Bruno quase abandonou o esporte por conta de uma grave inflamação no joelho esquerdo, que o deixou fora das quadras por dois anos, mas que foi determinante para a mudança na sua carreira.

Bruno Soares vive grande momentoEfe

O DIA: Nunca um brasileiro foi top 3 nas duplas e você ainda igualou o número de conquistas do Guga em uma temporada. O que falar da sua temporada?

BRUNO SOARES: É uma temporada especial. Disparada a minha melhor, com muitas marcas importantes. Fico honrado ao ter o meu nome comparado ao Guga, é muito especial. Foi um trabalho de muitos anos.

Em 2012 você ganhou cinco títulos e, em 2013, seis. O que mudou nesses anos?

Não é que mudou. É a maturidade que adquiri no circuito, acreditando no trabalho e treinando duro. Estou colhendo frutos. O entrosamento com o Peya foi fantástico também. É uma soma de coisas a longo prazo.

Você é profissional desde 2001, mas todos os seus títulos na ATP foram nas duplas. Quando viu que esse era o caminho?

Quando tive a lesão em julho de 2005 e fiquei parado até junho de 2007. Comecei a repensar a carreira se voltasse a jogar. Tinha certo sucesso nas duplas e vi que seria a melhor opção.

Nesse período, chegou a pensar em parar de jogar?

Chegou um momento em que ficou tão incerto meu futuro no tênis que era difícil planejar. Tinha esperança, mas também já pensava um plano B. Quando vi que ia dar certo, eu fui em frente e decidi jogar só nas duplas.

Dos seus 16 títulos, metade foi em dupla com o Peya e vocês ainda chegaram em outras cinco finais. Como decidiram se juntar?

Somos amigos. Jogávamos contra, mas conversávamos muito. Em abril ou maio do ano passado, não conseguíamos bons resultados com nossos parceiros e falei com ele. Começamos a conversar e combinamos de jogar alguns torneios. A dupla entrosou muito rápido e vimos que tinha potencial.

No simples você não teve tanto sucesso. Por que acha que deu tão certo nas duplas?

Sou um cara flexível e me adapto a várias situações e maneiras de jogo. Por isso acredito que posso jogar e usar o que o meu parceiro tem de melhoR.

Dá para projetar voos mais altos com esse ano tão bom?

Com certeza. Venho numa crescente, mas não estou ainda no meu auge. Tenho coisas a melhorar e quero chegar ao topo. Tenho que acreditar e traçar metas. Hoje, o objetivo é ser o número 1, é um passo enorme e tenho que correr atrás, até porque não será fácil desbancar os irmãos Bryan. Mas é possível, sim.

Dá para esperar um Bruno Soares ainda melhor nos Jogos Olímpicos de 2016? A medalha de ouro no Rio é o objetivo?

A medalha de ouro é o grande objetivo nosso, meu e do Marcelo (Melo). Acredito que nosso auge vai ser em 2015 e 2016. Só de jogar uma Olimpíada já é especial. Poder ganhar uma medalha no Rio é inexplicável. E também quero tentar nas duplas mistas. Tomara que apareça alguém nos próximos anos para podermos disputar bem.

Você e o Marcelo Melo jogam juntos na Copa Davis, mas, para esse objetivo em 2016, pretendem disputar mais competições para melhorar o entrosamento?

Fazemos dupla há tempos, treinamos juntos em Belo Horizonte e somos amigos. O entrosamento já é grande, mas a partir de 2015 pretendemos disputar mais competições juntos, de olho na Olimpíada.

Na Era Guga, o Brasil tinha dificuldade nas duplas pela Copa Davis. Agora é diferente e todos já contam com o ponto no jogo de vocês...

O ponto positivo é a confiança que dão à nossa dupla para conquistar o ponto. Mas também aumenta a pressão por ser vital nos confrontos. Já temos experiência boa para usar isso a nosso favor.

O que acontece com o tênis brasileiro que não tem nenhum tenista entre os top 100 da simples?

Temos um jogador de alto nível, o Thomaz (Bellucci), que está em má fase, sofrendo com lesões. Mas os projetos estão acontecendo. A Era pós-Guga foi desperdiçada, só que agora temos uma federação unida para melhorar o tênis no país. Temos que entender que o Guga foi algo fora da curva, um fenômeno. O objetivo é achar jogadores de alto nível, top 30 e 50, para depois dar um salto a mais. Isso não é fácil<MC5>.

Sua fase pode ajudar?

Acredito que sim. O sucesso das pessoas normais torna o sonho possível para os outros, dá mais motivação. Faz pensar que podem chegar também e eu espero levar mais pessoas para o esporte.

Como tem contribuído?

A melhor forma é a interação. Converso com pais e jogadores juvenis. Bato papo, passo experiência. Essa é a melhor forma de ajudar, com conselhos e opiniões

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