Volta de Dorival Júnior revela o caos

Treinador comandou Fla, Flu e Vasco em 2013

Por O Dia

Rio - Muita gente, a princípio, não acreditou e com razões. Seria possível que, 15 dias depois de sair do Vasco na zona da degola, Dorival Júnior seria resgatado pelo Flu como salvador da pátria pela simples razão de estar por aí, disponível?

Não se trata de desmerecer Dorival, que é um profissional íntegro com alguns bons trabalhos no currículo. Mas o débito vai para a falta de critério e despreparo dos dirigentes que demitem e contratam de qualquer maneira, só para se justificar diante da torcida ou jogar a culpa em um bode expiatório de ocasião. O salvador de hoje é o vilão de ontem e vice-versa.
No fundo, os treinadores, mesmo com salários absurdos, têm apenas uma parcela de culpa nos fracassos, que podem cair na conta da incompetência ou apatia dos jogadores e na imensa falta de habilitação dos dirigentes para o futebol profissional.

Dorival chegou ao Flu nesta terçaMárcio Mercante / Agência O Dia

Eles se limitam a gastar sem critério e recolher as verbas de publicidade e da TV. Pouco criam e os projetos se esvaem em fumaça. Nessas cinco rodadas, Dorival deverá até manter o Flu na Série A, mas o seu trabalho será muito limitado pelo tempo. Tudo na base do ‘vamos lá, moçada’!

PROVA DE FOGO

Adilson Batista terá, afinal, a sua prova de fogo, embora já tenha ultrapassado obstáculos que, pelas circunstâncias, foram especiais. O primeiro, por ser estreia em cidade do interior. E, domingo, pela lesão de Juninho e por dois gols seguidos do Santos, que obrigaram o time a se empenhar muito pelo empate, no que teve ajuda importante da torcida no Maraca. Hoje, diante do Grêmio, enfrenta um adversário que briga pelo G-4 mas que não faz gol há seis jogos. Perigo à vista.

O QUE SERÁ?

Depois da cobrança forte, os torcedores prometem apoio para que o Botafogo de Oswaldo derrote hoje a ‘poderosa’ Portuguesa. Quem for ao Maracanã certamente dará uma chance final a um time que vem, literalmente, caindo pelas tabelas. Mas, se de novo, forem obrigados a assistir aquele joguinho indecoroso de lentidão e passes para os lados, ouvirão vaias e hostilidade. O pavio está muito curto e o time — e só ele — é que poderá recuperar a própria credibilidade.

A POLÊMICA

A coisa mais fácil para granjear simpatia e fazer média com os flamenguistas é dizer que os preços dos ingressos estão absurdos. Mas o problema é complexo, passa pelas leis do mercado, pela sobrevivência dos clubes e envolve o populismo de um país carente como o Brasil que oferece gratuidades, descontos e facilita a vida dos cambistas. É desnecessário que políticos queiram se intrometer, os mesmos que fizeram lambança e inflacionaram os preços de estacionamento.

FOCO DISTANTE

São Paulo x Flamengo seria, normalmente, um clássico marcante, com fortes motivações. Mas nesta quarta as curiosidades soam diferentes. A primeira é o estádio Noveli Júnior que poderá atrair até um público neutro, ávido para assistir um grande clássico. Outra é a postura do São Paulo de Muricy, muito mais preocupado com as semifinais da Sul-Americana e que lançará um time misto. E o próprio Flamengo deve jogar à meia bomba porque a final da Copa do Brasil bate à porta.

CURTINHAS

Pelo movimento da venda de ingressos, Fla e o Atlético-PR de Paulo Baier estão certos de lotação esgotada nos jogos finais da Copa do Brasil. Nessa hora, fala mais alta a paixão dos torcedores e lamenta-se apenas que os cambistas agirão à solta, com imensos lucros.

O jornalista Geneton Moraes Neto lança essa semana um livro — ‘Dossiê 50’ — que para muitos, poderia ser um déja vu, mas que traz luzes novas sobre um velho tema já exaustivamente debatido — a tragédia da perda da Copa de 50. Bela pesquisa com depoimentos de todos os ‘vilões’, hoje falecidos. Uma obra com emoção e toda a complexidade do futebol.

Depois de muito tempo imune a lesões, a intensa atividade começa a cobrar um preço do grande Messi. São problemas seguidos e seria bom que o seu futebol, daqui para a frente, fosse acionado sem tanta constância. Não se pode correr o risco de um declínio prematuro.