Por rafael.arantes

Rio - De certa forma, o Brasileiro ainda não acabou. E não apenas pela repercussão da selvageria em Joinville ou pelo rebaixamento de dois gigantes, mas pela indefinição quanto à última vaga na Libertadores.

É até estranho que a disputa continue entre o 19º e o quarto colocados na competição. Para os que acreditam naquela história de “coisas que só acontecem ao Botafogo” está formada a cena para que o time, mesmo no G-4 , depois de 17 anos, acabe não indo à Libertadores por causa do campeão da Sul-Americana — e logo um clube como a Ponte Preta, sem tradição de títulos. Os cínicos chegam a dizer que, qualquer que seja o eleito, nenhum deles terá maiores chances na competição.

O Lanús é favorito nesta quarta, não apenas por ser tecnicamente melhor, mas pelo apoio da torcida. É o segundo melhor time da Argentina no momento e a sua torcida, um tanto carente de títulos, festejaria muito uma Sul-Americana. Mas quem acredita em bruxas, teme desde já os contra-ataques da Ponte e não cansa de lembrar das eliminações de Vélez e São Paulo.

Botafogo torce por derrota da Ponte para ir para a LibertadoresMárcio Mercante / Agência O Dia

INOCENTES DEMAIS

Espantosa a reação da classe política do país após a selvageria em Joinville. A presidente Dilma mostrou justa indignação, mas pareceu estar sendo apresentada a um fato novo. O Ministro Aldo Rebelo, com a tradicional calma, limitou-se a pedir providências de praxe sem dar ao assunto a necessária urgência. E é claro que tudo só adquiriu maior importância por ser véspera de Copa e a imagem do país ter sido arranhada no exterior com o exagero de sempre.

VOCAÇÃO ESPÚRIA

Boa parte dos dirigentes tem a vocação do mal, de aceitar qualquer meio para atingir o objetivo. Desde o tumulto em Joinville, já havia gente do Vasco em campo tentando “melar” o jogo não por insegurança, mas para reverter o resultado em seu benefício e evitar o rebaixamento, o que prejudicaria o Atlético-PR de Antônio Lopes. A manobra continua sendo tentada por vias legais, mas, espera-se, sem êxito para se preservar a ética do futebol. O Vasco levou 5 a 1.

DE TITE A HUNGARO

O Botafogo queria Autuori, mas não foi possível o acordo. Procurou Tite para fazer uma proposta até acima do patamar do clube, só que o provável é que o ex-técnico do Corinthians queira manter os valores astronômicos que ganhava no Parque São Jorge. Conclusão: o nome mais forte vem da base, Eduardo Hungaro, aposta de risco, com grande simpatia de Maurício Assumpção, apesar da inexperiência. Mas o clube estaria disposto a tentar a ousadia.

O BODE EXPIATÓRIO

A demissão de Rodrigo Caetano era prevista. Ao lado de Dorival Júnior, ele era o alvo mais fácil e óbvios a receber a carga de responsabilidade pelo rebaixamento. Os principais jogadores serão preservados (por razões econômicas) e tanto Siemsen quanto Celso Barros vão manter suas diferenças na encolha, pois um depende do outro — embora comandem o poder em um modelo ultrapassado no futebol. Rodrigo não teve ano feliz, mas não decidiu tudo sozinho.

CURTINHAS

Hernane foi nome meio esquecido na lista dos melhores — sua performance justificava um destaque pleno. Com 36 gols no ano, ele foi o artilheiro do Brasil e não seria absurdo ao menos cogitá-lo na Seleção. Não trata a bola com carinho, mas a manda para a rede.

O Atlético-MG viajou para o Marrocos com otimismo.Conseguiu o quase milagre de recuperar fisicamente Ronaldinho e fez certo ao manter o time em ritmo de competição. Mas terá tarefa árdua, pois o Bayern, mesmo com desfalques, tem elenco superior.

Abel demora a acertar com o Inter, Autuori, Cristóvão e Ney Franco ainda vão definir situações e medalhões como Vanderlei e Tite estão disponíveis. Eles vão se arrumar, mas o mercado tem novo olhar para a renovação e se retrai para pagar salários mais ‘normais’.

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