Por rafael.arantes

EUA - Glamour, tecnologia e muitos lucros. Com o apelo de GPs em lugares como Mônaco e Cingapura, a Fórmula 1 continua sendo um ótimo negócio para os homens que controlam o dinheiro no automobilismo. Esse negócio, que tem a firma de investimentos CVC como maior acionista, movimentou US$ 1,35 bilhão (R$ 3,2 bilhões) em 2012 e gerou um lucro operacional de 246 milhões de dólares (R$ 584 milhões), depois de deduzido o pagamento às 11 equipes participantes.

Isso poderia indicar uma farra nos boxes, mas as aparências enganam. Por trás das marcas de luxo, dos convidados VIPs e das suntuosas suítes de hospitalidade, muitas equipes menores lutam para sobreviver.

"A gente ouve falar de pessoas que não receberam, fornecedores demorando muito para receberem. Certamente não são dias felizes", disse o malaio, cuja equipe, após quatro anos, nunca pontuou na categoria, e foi lanterna do Mundial em 2013.

Fórmula 1 pode passar por mudançasReprodução Internet

A campeã Red Bull, Mercedes, Ferrari e McLaren, têm orçamentos de US$ 200 milhões (R$ 474 milhões) ou mais, beneficiando-se principalmente da divisão de faturamento supervisionada pelo executivo-chefe Bernie Ecclestone, que é há décadas a figura dominante no esporte.

Ecclestone, que enfrenta vários processos judiciais por causa do acordo com a CVC, há oito anos, criou um modelo de negócios único, que controla os direitos de transmissão, as taxas pagas pelos realizadores dos GPs, os patrocínios e os licenciamentos da marca.

As equipes dividiram um faturamento de cerca de US$ 750 milhões (R$ 1,7 bilhão) no ano passado, mas estão questionando a estrutura que suga tanto dinheiro numa modalidade em que as equipes precisam fazer altos investimentos e viajar pelo mundo para disputar as 19 provas anuais.

A divisão entre os ricos e os coadjuvantes é evidente nas pistas, onde Sebastian Vettel, da Red Bull, terminou a temporada vencendo as últimas nove corridas e com o quarto título consecutivo -- uma previsibilidade que desanima muitos torcedores.

No ano que vem, as equipes precisarão gastar o dobro com motores, por causa da adoção do novo turbo V6 com sistema de recuperação energética. Por isso, teme-se que a disparidade entre equipes ricas e pobres se torne insuperável. "No fim das contas, podem restar apenas cinco equipes da Fórmula 1 se ela continuar desse jeito", disse Fernandes.

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