Marta afirma:‘No Brasil, a prata não adianta’

Craque da seleção brasileira de futebol feminino fala sobre o reconhecimento no país

Por O Dia

Rio - Maior vencedora do prêmio de melhor do mundo pela Fifa, com cinco troféus, Marta admite que não chegará como favorita à festa do dia 13 de janeiro, em Zurique. Uma lesão na lombar tirou a camisa 10 da Seleção de combate por dois meses e transformou a temporada na mais difícil de sua vitoriosa carreira.

Na volta aos gramados, a craque brilhou e ajudou o Tyresö a conquistar a Liga Sueca e a vaga inédita nas quartas da Liga dos Campeões. Em conversa com O DIA, a alagoana mostrou confiança no hexa do Brasil na Copa de 2014 e falou da obsessão por títulos importantes com a Amarelinha.

Marta pode ganhar o prêmio de melhor do mundo pela sexta vezDivulgação

O DIA: Como você avalia sua temporada pelo Tyresö, da Suécia?

MARTA: Foi boa, mas não completa no meu ponto de vista. Este ano foi um dos anos mais difíceis para mim porque tive uma lesão e perdi dez jogos na Liga Sueca. Porém, consegui, nas 15 partidas em que atuei, fazer 12 gols e ser a jogadora com mais assistências no campeonato. Terminamos o ano classificadas para as quartas de final da ‘Champions League’ pela primeira vez na história do clube.

O DIA: Você disputa o prêmio de melhor do mundo com a goleira alemã Nadine Angere e a atacante americana Abby Wambach. Acredita que tem favorita?

MARTA: Tive meus pontos positivos, mas as concorrentes tiveram um ano bem completo. A goleira foi primordial para o título da Alemanha na Eurocopa. Ela defendeu dois pênaltis no tempo normal da decisão. Acho que entre as três, ela, talvez, tenha uma vantagem. Mas quando você chega entre as três melhores, tudo pode acontecer. Alguma coisa você fez para merecer, então, estou na expectativa novamente.

O DIA: E no masculino, quem você acha que merece ganhar a Bola de Ouro?

MARTA: Este ano, o Cristiano foi mais completo que o Messi. Conseguiu melhores resultados, tanto individuais quanto em equipe, e merece ganhar. Espero que ele vença.

O DIA: Outro brasileiro presente na cerimônia será Neymar, que concorre ao gol mais bonito. Será que ele vence mais uma vez?

MARTA: O gol dele foi muito bonito, mas o do Ibra está um pouquinho à frente. Vai ser uma disputa muito grande, mas nós brasileiros estamos torcendo para que o Neymar leve.

O DIA: Você acha que o Brasil está preparado para receber a Copa do Mundo masculina no ano que vem?

MARTA: Em relação a estádios, sim. Se todos ficarem no mesmo patamar do Mané Garrincha, o único que tive oportunidade de jogar, não teremos complicações. Mas sabemos que ainda temos problemas em outros setores e esperamos que, até lá, eles sejam resolvidos para que não atrapalhem a realização da Copa.

O DIA: Como está a sua confiança em relação à equipe de Felipão? Acredita que a seleção brasileira vai espantar o fantasma do Maracanazo de 1950 e conquistará o hexa?

MARTA: Estou confiante. Vi a final da Copa das Confederações contra a Espanha. O Brasil realmente dominou o tempo inteiro. Acho que a torcida, por mais que a gente estivesse passando por situações de protestos nas ruas, se uniu e apoiou a Seleção. Aquilo foi primordial para que os jogadores pudessem render o máximo dentro de campo. Se a gente repetir, de uma forma geral, tudo aquilo que fizemos na Copa das Confederações, o título fica aqui.

O DIA: Individualmente, você já conquistou tudo que estava ao seu alcance. E com a seleção brasileira feminina, quais são as suas ambições?

MARTA: Na verdade, tanto a Olimpíada quanto a Copa do Mundo são minhas obsessões. As duas competições são muito importantes e o Brasil ainda não conquistou nenhuma delas. Já temos duas pratas olímpicas e um vice-campeonato Mundial. A gente sabe que prata no Brasil não adianta muita coisa. O pessoal aqui só valoriza ouro. Então, são nossos sonhos. Se possível, vamos conquistar a Copa em 2015 para chegar à Olimpíada e, jogando no nosso país, levar o tão sonhado ouro.

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