Por fabio.klotz
Catar - Zico está no Catar, a 11.975 quilômetros do Brasil, mas, apaixonado por futebol e pelo país em que nasceu, não ficou indiferente à polêmica que envolve o Campeonato Brasileiro de 2013 - cuja decisão dos rebaixados para a Série B saiu do campo para o tapetão e, ao que parece, ainda está muito longe de uma definição.
Zico torce por evolução do Catar até a Copa de 2022Divulgação

O Galinho critica o modelo arcaico do Brasil sobre a publicação da punição a jogadores e diz que o regulamento no Catar é melhor do que o do país que vai receber a Copa de 2014, em junho. O eterno camisa 10 do Flamengo fala também sobre o Mundial deste ano e o de 2022, que terá como sede o Catar, onde atualmente é treinador do Al Gharafa, um dos principais clubes de futebol da Ásia.

O DIA: Como você vê a confusão sobre os clubes rebaixados do Campeonato Brasileiro no tapetão?
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Zico: É uma pena isso acontecer no Brasileiro. Acho que regulamento é para ser sempre cumprido, seja na primeira ou na última rodada. O problema é que nos regulamentos, muitas vezes, são deixadas brechas que permitem essas decisões em tribunais.
E logo no país que é pentacampeão mundial e que vai receber a Copa...
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Pois é. Eu dou o exemplo daqui. Dois dias depois do jogo já está no meu e-mail a lista vinda da federação com meus jogadores suspensos por cartão vermelho ou amarelo. Então, eu já começo minha semana sabendo quem posso ou não escalar.
O que achou da punição ao Flamengo?
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É outro caso ainda mais curioso. Aqui, no Catar, temos três competições e, se o jogador recebe vermelho em uma delas, tem de cumprir a suspensão na mesma competição. Se a expulsão foi no último jogo, a punição é aplicada na competição do ano seguinte, mesmo que o jogador tenha se transferido para outra equipe. O André Santos ser expulso na Copa do Brasil e punido no Campeonato Brasileiro é complicado.
Por falar em Flamengo, como você avalia a gestão do presidente Eduardo Bandeira de Mello e de seus diretores?
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Estão restituindo a credibilidade do Flamengo como clube. Torço bastante para que dê certo, pois são pessoas que querem o bem do Flamengo e não usufruir do Flamengo.
Ser presidente do Flamengo ainda faz parte dos seus planos?
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Isso nunca fez parte da minha vida.
O Carnaval está chegando e você será homenageado pela Imperatriz Leopoldinense. Como está o coração? Ansioso?
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Estou tranquilo, mas, no momento, não dá para pensar nisso, pois estou em pleno Campeonato Catari e agora o trabalho vem na frente da diversão.
Está feliz, mesmo longe da família e do Rio?
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Está tudo bem e a felicidade só não é completa realmente pela distância da minha família, o que é o mais difícil. Mas a vida aqui é tranquila até demais. É de casa para o treino e de volta para casa... Quando a Sandra está aqui, ainda vamos a um shopping e, à noite, a um restaurante.
Como avalia o nível do futebol no Catar?
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Bem abaixo para quem daqui a alguns anos vai organizar uma Copa do Mundo. Espero que eles se classifiquem para 2018 (na Rússia) para ganharem alguma experiência e não decepcionarem em casa em 2022.
Acha que o Catar realmente tem condições de sediar a Copa do Mundo de 2022?
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Claro que tem. Em termos de infraestrutura tem tudo para ser uma das melhores Copas da história. O problema é o período de disputa da competição, já que o calor realmente é insuportável e um grande obstáculo para a prática do futebol, pois a temperatura é muito alta.
Um facilitador seria o dinheiro de sobra no país, o que permitiria a construção de estádios climatizados para aliviar o calor?
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Não sei se tem dinheiro de sobra, mas o que estão preparando... O gasto para se fazer um Mundial no Catar será absurdo, com certeza.
E em relação ao Mundial de 2014, o que espera da competição no Brasil?
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Que o Brasil seja hexacampeão, mas que brilhe tanto dentro quanto fora de campo. Que saiba valorizar suas belezas naturais e que quem for assistir à Copa não o faça só por causa do futebol.
A pressão de jogar em casa, com a cobrança da torcida, pode atrapalhar os jogadores da seleção brasileira em campo?
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Não vai atrapalhar. Ter a torcida a favor só ajuda e quem vai para a seleção brasileira sabe muito bem o tipo de cobrança que deverá sofrer. Todas as grandes seleções do mundo, quando jogaram em casa, venceram. Com o Brasil, não pode ser diferente. Agora é o lema do Francisco Horta (ex-presidente do Fluminense): vencer ou vencer.
E o fantasma do Maracanazo de 1950? Existe uma maneira melhor de lidar com isso em 2014?
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Quem vai estar jogando com a Amarelinha não era nem nascido naquela época e não terá nenhum fantasma para se preocupar.