Lusa confirma oferta da CBF, descarta acordo e cogita ir à Justiça Comum

Dr. Orlando de Barros admite procura por adiantamento de cotas, mas diz que clube não vai aceitar pedido da CBF por desistência no caso Héverton; Entidade não se pronunciou

Por O Dia

São Paulo - A polêmica sobre o Brasileiro de 2013 ganhou mais um ingrediente. A Portuguesa foi surpreendida por uma proposta da CBF. Na noite de domingo, a ESPN Brasil divulgou que a entidade ofereceu um empréstimo de R$ 4 milhões ao clube paulista. Porém, com um condição: que a Lusa se comprometesse a jogar a Série B, abrindo mão de possíveis processos na Justiça Comum. Em entrevista ao O DIA, a Portuguesa confirmou que a CBF "colocou" estas cláusulas.

Tudo começou quando o clube pediu adiantamento de cotas de televisão. A resposta da entidade veio com a "surpresa". Vice-jurídico, Orlando de Barros descarta acordo com a confederação e vai além: a Portuguesa pode entrar na Justiça Comum para tentar evitar a punição do STJD e o rebaixamento para a Segundona. 

"É verdade. Existe sim algum movimento neste sentido, mas não tem a menor possibilidade de aceitação de uma coisa deste tipo. Temos uma audiência no Ministério Público nesta quarta-feira e vamos esperar este inquérito civil para dar um próximo passo. Vamos continuar buscando nosso direito e caso não haja uma solução antes do dia 20 de fevereiro estaremos entrando na Justiça Comum", disse.

Escalação irregular de Héverton fez a Portuguesa ser punida e, consequentemente, rebaixadaDivulgação

O dirigente também esclareceu a maneira como a situação foi iniciada. Segundo ele, a Portuguesa buscava um adiantamento de suas cotas anuais, no entanto, a tentativa da CBF em relacionar o fato com a situação do Campeonato Brasileiro fez o clube abrir mão do acordo.

"O valor realmente é este, está consignado, mas não é nenhum tipo de empréstimo. Seria um adiantamento das cotas da Portuguesa neste ano. Mas depois de tudo isso não estamos mais considerando esta possibilidade. Em absoluto, não vamos abrir mão dessa situação e continuaremos acompanhando o andamento judicial", comentou.

Presidente se diz revoltado com o caso: 'Um contrato indecente'

Enquanto o vice-jurídico comenta a situação com a certeza de que não existe a possibilidade da aceitação do acordo, o presidente Ilídio Lico não escondeu a fúria sobre o caso. Em conversa com a rádio Guaíba, o mandatário admitiu sua revolta com a proposta da CBF que, segundo ele, foi procurada para um adiantamento das cotas de TV do clube, mas que inseriram cláusulas para que a Lusa desistisse de ir à justiça para continuar na Série A.

"Eu fiquei muito revoltado com a proposta feita pela CBF. Eu tenho que falar a verdade, que abrir o jogo. O contrato é indecente. Ainda teria que devolver o dinheiro em 2015. Acharam que eu assinaria aquilo, mas a minha plataforma é transparente. Falei com pessoas, mostrei o contrato, e tudo isso foi divulgado. Infelizmente essa é a realidade. Poderíamos usar esse contrato, mostrar ao Ministério Público. A injustiça que estão fazendo conosco é muito grande. A Portuguesa vai morrer com dignidade, porque isso nós temos", comentou.

Portuguesa foi punida pelo STJD após escalação irregular de Héverton%2C mas segue em busca da recuperação dos pontosAndré Mourão / Agência O Dia

Em razão do feriado no Rio de Janeiro, a CBF diz não estar em funcionamento nesta segunda-feira e ainda não se posicionou sobre o caso. No fim do ano passado, o STJD puniu a Portuguesa e o Flamengo por terem escalado os jogadores Héverton e André Santos, respectivamente, de maneira irregular na última rodada do Brasileirão. Com a retirada de quatro pontos, a Lusa acabou rebaixada no lugar do Fluminense. No entanto, uma série de ações judiciais seguem deixando a situação indefinida. Alguns torcedores chegaram a entrar com ações contra a decisão do tribunal e o fato vem ligando o alerta em razão da imagem da CBF em ano de Copa do Mundo.

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