Rio - Quando se esperava um começo de temporada mais "light" sob inspiração da Copa, das bonitas arenas e do propalado padrão Fifa, eis que todos vivem momento caricato de ópera bufa. Depois da perda de tempo e de paciência com o lamentável episódio que ainda rola da Portuguesa, veio a perplexidade por estaduais esvaziados, com destaque negativo para os terrenos baldios onde se joga no Rio. E, no noticiário específico dos clubes, fala-se abertamente da volta de ... quem? Do "salvador" do Vasco, Eurico Miranda, já candidato às próximas eleições.
Dá até para entender, porque a administração Roberto piora a cada 15 minutos, o clube quase não tem opções e o ambiente em que se vive no futebol é bem propício para uma figura nefasta como Eurico. Há muitos torcedores e até certos jornalistas que sentem saudade dele. E faz sentido no tapetão, porque, na CBF, depois de Teixeira e Marin, será a vez de Nero.
Não é má vontade desta coluna não, apenas a constatação de que o pior passado continua no presente e o futuro nunca chega. Há quem goste muito e se aproveite da postura desse tipo de gente. Não apenas no esporte.
Equívoco
Muitos torcedores do Fluminense aproveitam as redes sociais para dizer que o clube sofre perseguição e que a imprensa faz campanha torpe. Nada mais equivocado porque, na maioria das matérias e opiniões, ninguém culpa o clube e, sim, a legislação calhorda que privilegia o tapetão e os poderosos. O fato de o Fluminense ter história no tapetão é apenas questão de pesquisa e estatística. O suspeito rebaixamento da Lusa é que provoca dúvidas, mas o Flu nada tem a ver com isso.
Contrassenso
Se os dirigentes de clubes e da federação pretendiam demonstrar a força do Carioca, deram um tiro na água e de uma forma incompreensível. Se Rubinho é sempre inflamado ao defender a sua "criação", por que permitiu clubes na Série A sem estádios decentes e sem vistoria nos liberados? E por que não se mobilizou para dar um ar festivo no início da competição, se possível com um clássico de saída? E os clubes, escalando reservas e sem dar muita bola à competição?
Meia-bomba
A rodada de meio de semana do Carioca não anima muito com o Botafogo se atropelando em dois jogos e, nesta quarta-feira, Vasco e Flamengo tentando se impor com a torcida. A do Flamengo, sem estresse, porque vem de vitória e tem tudo para faturar o Voltaço, embora jogue fora. Será que haverá nova ovação a Carlos Eduardo? E o Vasco que trate de jogar bola porque se repetir o futebolzinho da estreia voltará derrotado de Macaé. É um jogo perigoso, capaz de provocar um esboço de crise.
Sem transparência
Os valores da transferência de Neymar continuam variando ao sabor dos ventos e das investigações de jornalistas. Quanto mais se remexe, mais se chega à conclusão de que as cifras oficiais eram fajutas e que houve gente no meio da transação que levou algum. Ou muito. Talvez até seja rotina, mas não deixa de ser postura predatória nas finanças dos clubes e um atentado a uma convivência limpa no futebol. Ninguém se queixa, mas o torcedor tem o direito de duvidar de tudo.
Poucos destaques na Copinha
Em outras edições, a Copa São Paulo de Juniores mostrou maior número de boas equipes e chegou a revelar craques, como Djalminha, ex-Fla. Com a cada vez maior interferência de empresários e viés muito comercial, o nível caiu. A Copinha deste ano tem sido sofrível, embora os quatro que chegaram tenham se destacado e sejam os melhores — Flu, Corinthians, Santos e Atlético-MG.