No mundo da Copa: 'Fred hoje não tem reserva à altura'

Careca se preocupa com o próximo camisa 9 na seleção brasileira

Por O Dia

Rio - A nova lesão de Fred virou motivo de preocupação não só para o técnico Luiz Felipe Scolari, que pode perder sua referência de ataque na Copa do Mundo, mas para o ex-jogador Careca, que vê no camisa 9 do Fluminense o único atacante ‘de ofício’ a vestir a Amarelinha.

Destaque no Mundial de 1986 — foi vice-artilheiro, com cinco gols —, o famoso ‘matador’ de Guarani, São Paulo e Napoli, na década de 1980, teme que o Brasil perca poder de fogo na busca pelo hexa.

Careca teme por ataque da seleção brasileiraDivulgação

“Felipão possui atletas talentosos na frente, mas, exceto Fred, nenhum deles é atacante nato, de área. Neymar é craque, mas não o camisa 9 clássico. O pior é que Fred hoje não tem um reserva à altura. Jô é apenas esforçado”, avalia. Careca também lamenta a safra atual de atacantes no país.

“Luis Fabiano é brincadeira, está muito mal. O Pato, idem. Ainda perdemos Adriano, que luta para voltar aos campos. Hernane é brigador, mas sem talento para defender a Seleção. Walter até sabe jogar, finaliza bem, só que sofre com o excesso de peso”, observa. E acrescenta:
“Vou fazer uma cirurgia no joelho e, aos 53 anos, voltar a jogar. Eu teria vaga nesta Seleção. Atuar hoje está fácil. É simples, basta ter inteligência e se posicionar bem”. Careca destaca Cristiano Ronaldo como o único atacante fora de série hoje. “Ele se movimenta bem e tem faro de gol. É o cara”, afirma.

Atenção com o psicológico

Careca elogia o carisma de de Felipão (“é um técnico talentoso”), mas demonstra preocupação com sua proposta de jogo na luta pelo título da Copa de 2014. Para o ex-jogador, o Brasil deveria ser menos ‘europeu’.

“Está todo mundo jogando igual, com muita preocupação em não sofrer gol. A forma como a Seleção atua não me agrada. Tem uma defesa sólida, mas que foge à tradição ofensiva do Brasil”, diz.

E alerta: “Vamos jogar em casa, com pressão da torcida. Se com 10, 15 minutos o placar estiver 0 a 0, as vaias vão surgir e o aspecto psicológico pode pesar. Principalmente em jogo eliminatório contra uma Espanha, uma Itália, uma Argentina...”

A guerra de um capítulo só

O dia 22 de junho de 1974 entrou para a antologia do futebol. Uma nação, que fora dividida em duas em 1949 e separada por um muro em 1961, encontrava-se pela primeira e única vez na história, no Volksparkstadion, em Hamburgo, para decidir quem seria o primeiro colocado do Grupo 1. Não era um confronto de irmãos aos olhos do mundo. Era o capitalismo da Alemanha Ocidental contra o comunismo da Alemanha Oriental.

Criou-se um clima eletrizante. Seriam os orientais jogadores desleais, que deixariam a marca da foice e do martelo nas canelas ocidentais? Nada disso.

A vitória foi decidida aos 23 minutos do segundo tempo, gol de Jürgen Sparwasser: 1 a 0 para a Alemanha Oriental. O que era para ser uma guerra, não foi. Foi apenas um jogo. E dos bons.

A troca de camisas e os abraços ficaram para o corredor que dava acesso aos vestiários. O governo oriental não gostaria de ver seus jogadores, agora garotos-propaganda do sucesso comunista, confraternizando com os ocidentais.

Mas a derrota ajudou a Alemanha Ocidental, que caiu num grupo mais fácil na segunda fase (junto com Iugoslávia, Polônia e Suécia) e mais tarde se sagrou campeã. Já a Alemanha Oriental parou diante de Brasil, Argentina e Holanda.

Coluna de Flávio Almeida e Alysson Cardinali

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