Ajuda eletrônica tem de ser rotina

Parece que o futebol gosta de conviver com o erro e a injustiça

Por O Dia

Rio - Na Copa, certamente não veremos o lance bizarro de uma bola que entra e não vale gol. Depois do que aconteceu em 2010, entre Inglaterra e Alemanha, a Fifa, meio encabulada, resolveu, com muito atraso, adequar-se à modernidade e teremos chip no Mundial para evitar vexames. Mas isso deveria ocorrer como norma, ao menos nas competições de primeira linha. O quebra-galho da Federação do Rio, com auxiliar postado a metros da linha de gol, poderia até ser funcional, se esses "profissionais" tivessem mais atenção e competência ou, ao menos, mais coragem para assumir decisões importantes.

Rodrigo Castanheira não avisou que a bola havia entradoReprodução

A falha grosseira de Rodrigo Castanheira parece ter mais a ver com falta de personalidade ou de coragem mesmo. Em outros esportes, como tênis e basquete, há o direito de pedir revisão de certo número de lances quando um time se sente prejudicado. Mas parece que o futebol gosta de conviver com o erro e a injustiça e não foi à toa que um dia João Havelange teve a coragem de dizer que as falhas de arbitragem e a polêmica em torno delas é que davam graça e repercussão. O futebol não precisa disso para ser o esporte mais emocionante de todos.

Omissão

Mais uma vez, o diretor de árbitros da Federação do Rio, Jorge Rabelo, cometeu o desatino de dizer que o erro do auxiliar foi normal. Que maneira mais simplista e pragmática de conviver com equívocos grosseiros! Da forma como falou, esses árbitros continuarão tranquilos e não vão se esforçar para ter atenção e rigor máximos porque está tudo dentro da "normalidade". A preocupação é tapar o sol com a peneira e limpar a barra dos amiguinhos preservando o próprio comando.

Até o Jayme?

Jayme de Almeida tem merecido muitos elogios por seu trabalho no Flamengo e por declarações sinceras, sem falsear sobre o que de fato ocorre em campo. Mas, depois do clássico, deu uma escorregada. Dizer que no segundo tempo o árbitro tentou compensar o erro contra o Vasco dando só faltas para o adversário e ignorando as que o Flamengo sofria é obra de ficção. Não precisava inventar isso só porque reconheceu o óbvio - o lance cristalino do gol de Douglas.

Bela estreia

Por falar em Douglas, a sua estreia lembrou os melhores tempos no Sul pela classe, talento nas bolas paradas e personalidade. No Corinthians, teve bons momentos, mas, como não se firmava como titular, acabou meio perdido no elenco, até porque havia outro jogador que atuava pelo seu setor com características semelhantes: Danilo. Embora esteja em reta final de carreira, Douglas tem lenha para queimar e pode ser fundamental ao Vasco, talvez o líder do time.

Altos e baixos

É difícil se chegar a uma conclusão sobre a bipolaridade do Botafogo de Eduardo Hungaro - eficiente na Libertadores e horroroso no Estadual. Pode ser uma mistura: ruindade explícita da maioria dos reservas, falta de interesse no Carioca (o que é um absurdo porque uma coisa é dar prioridade, outra é jogar sem vontade) e a própria estratégia dos dirigentes que parecem ter olhos só para a Libertadores. Ocorre que o futuro na Liberta é incerto e a parte financeira, fraca.

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