Por pedro.logato

Rio - Em outros tempos, os torcedores dos grandes clubes sabiam que, quando aparecia um jovem craque, havia muito tempo à frente para saudá-lo e comemorar as grandes vitórias dos seus clubes. Tempos de Dida, Garrincha, Pelé, Zico, Roberto e dezenas de outros.

O futebol brasileiro recebia propostas, mas de uma forma limitada e eventual e para curta permanência — com raras exceções, como foram os casos de Julinho ou Amarildo. Mas, a partir dos anos 90, tudo mudou e, agora, desde cedo, nas divisões de base, começa o êxodo.

Mesmo quando os clubes seguram os melhores garotos, eles logo escapam pelos dedos como foram os casos de Thiago Silva, Marcelo, Vitinho e, agora, quase certamente, Dória. E o cerco chega aos quase veteranos como Hernane em um tipo de mercado paralelo, na Ásia, que abre espaço para jogadores médios ou goleadores, artigo raro por lá. Hernane, mesmo sem ser craque, era um projeto de ídolo no Fla, já abortado. Vivemos uma época sem tempo para cultivar ídolos.

Hernane foi campeão da Copa do Brasil em 2013Márcio Mercante / Agência O Dia

MENOS MAL

O Botafogo teve tudo para ganhar ontem em Santiago. Em um estádio sem a pressão anunciada teve quase sempre o domínio do jogo, mas foi incompetente nas conclusões. No final, quando se desenhava uma injusta e incrível derrota, pelo menos conseguiu o empate com um gol de Ferreyra, o mesmo que vinha perdendo várias chances. Menos mal que foi um bom resultado mas, se tiver ambições na Libertadores, o Botafogo não poderá ser tão dispersivo.

MARGEM ESTREITA

Depois do inesperado tropeço para a Cabofriense em casa, o Vasco esgotou a sua cota de vacilos no Estadual. Chegou a convencer a torcida de que evoluíra muito e a derrota balançou as convicções, embora o time não tenha jogado tão mal. Mas Adilson Baptista precisa dar um trato no sistema defensivo, ainda mais quando tiver desfalques. A fragilidade de Jomar comprometeu e até mesmo os laterais não mostraram boa recuperação. Com o Botafogo por perto, a pressão aumentou.

ELEIÇÃO PARALELA

O Flu acompanhou as eleições na Unimed como se fossem do próprio clube e houve até numerosa torcida contra e a favor, as duas com razões lógicas. Uma considerando que, sem esse modelo, o Flu atravessaria um período de seca sem futuro definido. Outra, lamentando a perpetuação de um esquema artificial e inconsistente. De qualquer forma, no contexto atual, o clube não estava preparado para dar o seu grande salto, mas, se quiser sobreviver bem, tem que se planejar com independência.

CONFORTO INÉDITO

Em nenhuma outra Copa, um treinador de seleção brasileira mostrou tanta convicção e segurança como Felipão (foto) agora e já tendo na cabeça a formação titular. Qualquer torcedor minimamente informado sabe que o time titular é formado por Julio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo;Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Neymar, Hulk e Fred. Eventuais mudanças só por contusão ou inesperada queda de produção, mas os homens são esses aí mesmo.

O GRÊMIO PROMETE MUITO NA LIBERTADORES

Nas duas primeiras partidas na Libertadores, o Grêmio deixou ótima impressão e acertou na mistura de jovens com os veteranos que mais aprovaram no ano passado. Wendel, Ramiro e Luan são ótimas surpresas e Zé Roberto e Barcos estão rendendo muito mais nas mãos de Enderson Moreira. A vitória sobre o Atlético Nacional foi de um time que se reciclou para ganhar títulos.

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