Por pedro.logato

Rio - Já se esperava que a Seleção não encontrasse dificuldades na África do Sul e não era mesmo objetivo forçar a barra. Ainda assim, esperava-se adversário um pouco melhor, com alguma capacidade de marcação e, pelo menos, algumas conclusões perigosas.

O que se viu, no entanto, foi fragilidade absoluta da África do Sul, o que explica bem o seu fiasco nas Eliminatórias, com um grupo desarvorado e ingênuo que poderia levar bem mais do que os cinco gols que levou.

Mas é claro que isso não tira os méritos da seleção brasileira, que voltou a mostrar um bom futebol, a determinação de sempre na era Felipão, com um Neymar mais uma vez desequilibrando, um sistema defensivo forte e, boa surpresa, Fernandinho com atuação excelente — deve ter carimbado o passaporte para a Copa. O mesmo não se pode dizer de Rafinha, bem limitado.

Desde o gol de Oscar, as porteiras se abriram e os atacantes brasileiros encontravam generosos espaços. O Brasil expôs de novo a sua ótima fase e o favoritismo para a Copa.

Neymar foi o grande destaque da partida%2C com três gols marcadosReuters

BOA APOSTA

Não se pode dizer que Fernandinho tenha sido uma surpresa, porque ele já havia mostrado qualidades na Seleção em outras ocasiões e o seu futebol tem evoluído muito até se impor de vez no campeão Manchester City. Mesmo no amistoso meia boca de ontem sobrou em eficiência e determinação compondo bem a Seleção tanto como primeiro volante quanto mais avançado. É um jogador versátil, intenso, com habilidade individual e que encontrou seu espaço na Seleção.

COMPLICAÇÕES

A entrada de Daniel Alves pela esquerda deixou no ar a possibilidade de que Felipão esteja pensando na possibilidade de, se houver necessidade, fazer essa quase improvisação, o que parece dispensável porque Maxwell sempre entrou bem na posição. Com isso, se abriria espaço para outra vaga no ataque — Robinho ou, quem sabe, um novo centroavante só para o caso de um problema com Fred. Será? Parece equação complicada para a cabeça simples e objetiva de Felipão.

FALA SÉRIO!

Eduardo Hungaro continua a dizer que o planejamento do Botafogo é excelente e que não dependia de resultados para ser aprovado. Como? E o pior é que hoje ele lança quase todos os titulares com o time já fora do Carioca. Pergunta-se: para quê? Para deixar o grupo em atividade? Futebol cabe quase tudo e o Botafogo pode até fazer boa campanha na Libertadores, o que encobriria todos os equívocos. Mas ninguém duvida dos graves erros dessa preparação.

OS RESGATES

O desfile das escolas de samba este ano pode não ter mostrado um destaque excepcional, mas foi muito equilibrado e em um bom nível de competição. Tanto que a Império da Tijuca, rebaixada, brilhou com ótimo desfile. Foi ótimo ver a volta de uma Portela forte e motivada, da União da Ilha com a sua velha vocação de alegria e simplicidade e a Imperatriz de Zico também com ares de capricho e renovação. A Grande Rio estará no desfile das campeãs e aí se pode ver o prêmio ao mérito.

SENNA LEVOU PARA O ASFALTO A VOCAÇÃO DA VITÓRIA

Foi justa a vitória da Unidos da Tijuca, a terceira em cinco anos, de uma escola que não era muito notada na segunda metade do século passado. Na briga com monstros sagrados como Boni e outro gigante do esporte, Zico, o grande Senna se deu bem porque sua escola, além de muito harmoniosa e bonita, foi mais regular. A vitória de um campeão da cabeça aos pés e eterno na memória coletiva.

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