Por pedro.logato

Rio - O Flamengo entra em campo hoje para lutar contra uma série de obstáculos. Os fatores climáticos são terríveis: frio e provavelmente tempo chuvoso em La Paz; uma necessidade absoluta de vitória depois do tropeço contra o mesmo Bolívar no Maracanã; e ainda certos problemas referentes ao próprio time, como as condições físicas duvidosas de Léo Moura e, principalmente, o futebol sempre curto de Carlos Eduardo, uma estranha presença no elenco do Fla.

A altitude vai atrapalhar muito, como sempre acontece com todos os times que jogam por lá, em um atentado à parte física e ao espírito esportivo que só a hipócrita Fifa não vê ou não quer ver. É claro que, eventualmente, um visitante surpreende e vence, mas, para isso, é preciso um ótimo preparo físico, estratégia de alto nível e excelentes jogadores. O que se viu no Rio foi um Bolívar organizado, que sabe se defender bem e ocupar espaços, coisa rara no pobre futebol boliviano. Resta saber se não vão se empolgar demais e deixar espaços na defesa. Em qualquer hipótese, o Fla tem que vencer.

Flamengo tropeçou contra o Bolivar no MaracanãUanderson Fernandes / Agência O Dia

O ‘INOVADOR’

De repente, Rubinho, presidente da federação, surge com pretensões de salvador da pátria, sensível, ora vejam, aos muitos problemas do futebol do Rio. Está acenando com grupos de trabalho, forças-tarefa, estudos de toda ordem em verdadeiro tsunami teórico. Por quê?Talvez pela indignação geral, pela ausência da torcida e por uma latente ameaça de mudanças meio no grito. O problema é acreditar que alguma coisa vá mudar. Se diminuir o número de clubes, já será um bom recomeço.

O VELHO CALENDÁRIO

Entra ano, sai ano, essa história de calendário volta à tona sem que quase nada de prático aconteça. Leves mudanças não melhoraram a organização das competições e continuaram os prejuízos dos clubes. Agora, o Bom Senso FC, movimento elogiável dos jogadores sob o comando de Fernando Prass, Rogério Ceni e Alex, faz propostas práticas sugerindo um Brasileiro mais cedo e um mata-mata nos Estaduais no meio do ano. Há boas intenções, mas ideias ainda meio confusas.

INCOERÊNCIA

A política do Vasco é confusa e agitada por natureza e tem sofrido há décadas, ora pela intriga interna, ora por regimes fechados e ditatoriais. Roberto Dinamite era uma luz de renovação, mas a coisa continua obscura. No episódio da pretensa briga com a Federação do Rio, o Vasco parecia ter se unido a Flamengo e Fluminense na oposição. Mas, alguns dias depois, dirigentes vascaínos negaram o racha e já estavam na federação comendo na mão de Rubinho. Nada parece sério.

HORA DE OUSAR

Renato Gaúcho tem muitas qualidades e os jogadores gostam do seu estilo. Mas ele ainda não se firmou como grande treinador, embora já tenha passado da hora. No Grêmio, obteve força competitiva ao fixar três volantes, reforçar a defesa e vencer nos contra-ataques. Mas nem sempre tem que ser assim. O Flu, com Conca, Fred e Walter, pode ousar mais e confiar no talento. É preciso arriscar, embora a diretoria pudesse dar uma grande ajuda contratando um bom zagueiro.

A ESTRUTURA DO VÔLEI PRECISA SER PRESERVADA

Esse escândalo no vôlei, inesperado e tenebroso, exige investigação, punição e reformulações, mas, providências à parte, é preciso manter o esquema de trabalho que deu certo em termos de seleções. Nas últimas décadas, tanto o masculino quanto o feminino ganharam as principais competições externas e isso vale muito. É possível preservar o lado bom com métodos éticos.

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