Por pedro.logato

Rio - O Botafogo passou em Buenos Aires por uma das maiores humilhações de sua história com uma atuação vergonhosa dos seus jogadores que deram a impressão de não se importarem com o resultado, comandados por um treinador de caricatura sem o menor controle sobre o grupo e sem qualquer arrumação tática em campo.

Por trás de tudo, a omissão de uma diretoria que conseguiu fazer tudo errado esse ano. Perdeu jogadores importantes, fez um planejamento ridículo e suicida, abandonando o Estadual e sem cuidar bem da competição mais importante. Queriam o quê? Foi pura irresponsabilidade. A desculpa da falta de dinheiro não cola porque isso é rotina no clube há muito tempo e outros concorrentes em situação semelhante mostraram força em campo.

Jogadores como Júlio César, Aírton, Jorge Wagner e Wallyson não honraram a camisa mas, na verdade, a culpa é também de quem os contratou e escalou. Esse não é o verdadeiro Botafogo, e sim o Botafogo de quem trata o clube como um entreposto de negócios. E, mesmo assim, sem competência.

Botafogo acabou eliminado com derrota na ArgentinaReuters

LENDA URBANA

Há quem ainda acredite que basta uma camisa de tradição e o estádio cheio para ser campeão. Fla e Corinthians sempre confiaram nisso, mas o Timão ficou 23 anos no sereno para entender que precisava também de um bom time. A torcida do Fla adora dizer que se deixar chegar, ninguém segura, mas há inúmeros exemplos que provam o contrário. É melhor apostar na qualidade e no profissionalismo, pois só assim a camisa forte e a torcida terão efeito.

A DIFERENÇA

O vexame do Flamengo tem uma análise diferente. Foi gigantesco por acontecer em casa e pela frustração de um Maracanã lotado. Mas houve luta e foi uma derrota límpida que revelou a superioridade dos mexicanos com melhor toque d e bola e uma organização tática superior. Os mexicanos, que ganham muito menos, são mais disciplinados sob todos os aspectos. A eliminação do Fla de Jayme é um belo exemplo da crise do futebol brasileiro, um exemplo preocupante.

HERMANOS

Dos seis brasileiros, sobraram só três na Libertadores. Os argentinos têm o maior número de concorrentes e confirmaram que, mesmo sem Boca e River, são fortes. O México mostrou que vai sempre bem e classificou León e o Santos Laguna. Mas a melhor surpresa veio da Bolívia que classificou Bolívar e The Strongest, mostrando, pela primeira vez,um futebol competitivo fora de La Paz. Chile e Uruguai pingaram um clube mas sem pretensões na competição.

FORA DO CIRCUITÃO

Das estreias de ontem, a que mais promete é ‘Cortinas rasgadas’ de Jafar Panahi, uma singela história de um homem isolado em uma casa de campo com o seu cachorro. O cinema iraniano luta com justificáveis dificuldades mas resiste bravamente com alguns filmes de alta qualidade. Outra boa atração é o Festival Varilux de cinema francês que sempre traz os lançamentos recentes do melhor cinema europeu. No ano passado, o festival foi sucesso de público e de crítica.

A HUMILHAÇÃO APARECE DE CONTA-GOTAS

É impressionante como, tanto no caso da Copa do Mundo como também das obras para a Olimpíada, o país vem sendo humilhado a cada viagem que o pessoal da Fifa ou do Comitê Olímpico Internacional (COI) faz para fazer uma vistoria. Os relatórios só falam de atrasos e organogramas furados que tentam oficializar o jeitinho. E os políticos sempre com aquele sorriso maroto como se fosse tudo natural e garantindo que tudo termina bem. Já não existe o menor pudor em fazer as coisas do jeito errado.

Você pode gostar