Contra-ataque: O Brasileiro começa longe da torcida

Competição ainda vai demorar para esquentar

Por O Dia

Rio - Fora a grande confusão envolvendo a Portuguesa na Série B, o Campeonato Brasileiro começa frio, sem sal, com a torcida mais preocupada com outras competições, como a Libertadores da América, ou ainda curtindo as emoções recentes dos Estaduais.

Há muita gente que defende incondicionalmente a atual fórmula de disputa e é evidente que ela tem méritos — a opção por pontos corridos foi pedida por muito tempo pela própria mídia. Depois de mais de dez anos de pontos corridos, houve moralização e estabilidade, mas se perdeu um pouco a emoção. Até porque cada vez mais os candidatos ao título se reduzem por causa da crise econômica dos clubes. Seria uma boa manter os pontos corridos até certo ponto, mas se prevendo, por exemplo, jogos semifinais e finais para criar uma expectativa.

Mas há também um ponto que parece sem solução a curto prazo: faltam craques no país e na maioria dos clubes vê-se uma evidente mediocridade. O torcedor, então, se poupa na poltrona.

Brasileirão deve começar com poucas atraçõesAndré Mourão / Agência O Dia

BOA VONTADE

Pelo menos na apresentação, Emerson Sheik mostrou boa vontade, humildade e um sincero desejo de se recuperar e, quem sabe, terminar a carreira por cima, com boa performance no Botafogo. A sua contratação foi recebida com frieza e o nível de desconfiança é alto. Mas ele já abriu fresta de esperança para um pequeno crédito inicial. A torcida do Botafogo sabe, no entanto, que Sheik, até mesmo paradão, é melhor do que Wallyson e Henrique juntos. O que não é nenhum consolo.

O TEMOR

É bem possível que o médico da Seleção, José Luiz Runco, tenha razão quando diz que Neymar pode ser beneficiado pela parada de um mês antes da Copa. Ele deve se recuperar bem, não correrá risco de lesões e pode repetir os bons exemplos de Ronaldo e Rivaldo antes da Copa de 2002. Neymar é fundamental para a Seleção, assim como Messi, Cristiano Ronaldo ou Xavi para os seus respectivos países. E a Copa merece a presença de todos em boa forma.

POUCO TEMPO

Mesmo com a presença próxima de Eduardo Hungaro, o novo técnico do Botafogo, Vagner Mancini, teve pouco tempo para impor o seu esquema e modo de pensar o futebol. O que a torcida pode esperar é mais garra dos jogadores e vontade de disputar cada bola como se fosse um prato de comida, o que não se viu no último jogo da Libertadores. Os problemas continuam: falta de criatividade na armação e ataque débil. O São Paulo tenta se recuperar e, em casa, leva algum favoritismo.

SUPREMACIA

O Goiás entra neste Brasileiro em crise e a própria mídia de lá considera o atual time um dos piores dos últimos tempos. O Flamengo de Jayme de Almeida joga em Brasília para faturar, tem lá boa parte da torcida, mas, dentro de campo, pode fazer a sua festa de campeão carioca e começar o Brasileiro com boa vitória. O time deu até uma caída no fim do Estadual e agora as dificuldades serão maiores. Mas, na tarde de hoje, um tropeço seria péssimo indício para o resto da temporada.

UM ÁLBUM COM POUCOS CRAQUES

Um álbum de figurinhas da Copa é sempre uma atração, ainda mais com o Mundial no Brasil. Dos 544 jogadores relacionados nas 32 seleções, no entanto, o que tem de ilustres desconhecidos não está no gibi. Excetuando-se as seleções de Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha e alguns nomes óbvios, como Cristiano Ronaldo, Ribéry, Robben, Luis Suárez, Falcao García, Sneijder, Pirlo, Rooney e Lampard , restam poucos para celebrar. Não chegam a 10% do total.

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