Por onde anda: Jeremias, o bom

Ex-atacante de América e Fluminense compartilha hoje a paixão pela bola com seus alunos em uma escolinha de futebol em Niterói

Por O Dia

Rio - De Cubango para Barcelona. Esse foi o caminho percorrido por Jeremias, ex-atacante de América, Fluminense, Vitória de Guimarães-POR e Espanyol-ESP, em dez anos de carreira. O moleque bom de bola revelado nos anos 60, no Manufatura, em Niterói, hoje compartilha a paixão pelo futebol com os pupilos em sua escolinha, a Combinado 5 de julho, no Barreto, no mesmo município

“Adoro ensinar. Cada dia de trabalho é mais um que ganho na vida. Já encaminhei muitos jogadores. No sub-17 do Fluminense, tem hoje o Marcinho, o Lucas Andrade e o Marlon Freitas, que é capitão. Meu maior prazer é revelar talentos, mas não sou empresário”, faz questão de frisar Jeremias, que tem 80 alunos na faixa entre 5 e 15 anos.

Jeremias ensina jovens em escolinha de futeblJoão Laet / Agência O Dia

Uma das preocupações do ex-jogador é ensinar os garotos a serem bons com a bola na cabeça e nos pés. Apesar de não ser alto, tem 1,74m, ele se destacava pela técnica e por ser um exímio cabeceador.

“Eu tinha impulsão muito boa. Ia nas alturas, mas não voava como o Dadá, o Beija-Flor”, brinca. “Saía do chão com muita facilidade. Fiz muitos gols de cabeça. Tinha um ótimo tempo de bola”, ressalta o ex-ponta de lança, que brilhou no América.

“Fiz dupla com um jogador fora do normal, o Edu. Ele foi o maior craque da história do América. Era fácil demais jogar com ele”, elogia.

No América, Jeremias não ganhou títulos, mas despontou como promessa. Não demorou a ser contratado pelo Fluminense. “Cheguei em um momento de declínio do time. Fui muito bem recebido, mas o grupo era meio dividido”, confessa o ex-atacante, que mesmo assim fez parte do elenco que foi campeão carioca, em 1973.

De volta ao América, Jeremias não teve o mesmo sucesso e arriscou a sorte no futebol português. Após boa passagem pelo Vitória de Guimarães, transferiu-se para o Espanyol, onde fez sucesso.

Jeremias guarda carinho com os seus ex-clubesJoão Laet / Agência O Dia

“Morei três anos em Barcelona. Joguei contra grandes craques, como Cruyff, Neeskens, Del Bosque e Breitner. Foi um período fantástico”, relembra, saudosista.

Mas, em 1980, quando atuava no Vitória de Setúbal,uma lesão no púbis abreviou de vez a sua carreira: “Parei de jogar com 30 anos, mas poderia ter jogado mais. Voltei ao Brasil e segui a minha vida como contador. Trabalhei oito anos em uma empresa, até voltar ao futebol. Não entendo quando algum jogador reclama. Acho que é ingratidão. O futebol me deu tudo.”

Jeremias atuou no Fluminense na década de 1970arquivo pessoal

Apelido ganhou status de nome

No meio do futebol ninguém conhece Jorge da Silva Pereira. Mas, se perguntarem por Jeremias, todas as portas de Niterói serão abertas. Até hoje, o ex-jogador passa apertos por não ser conhecido pelo nome de batismo. O curioso é que o apelido famoso foi herdado de um ex-prefeito de São Gonçalo, com o qual nunca teve relação.

“Jogando pelada na rua, a bola caiu longe e me mandaram buscá-la. Nessa hora alguém gritou: ‘Pega lá que você vai ser prefeito de São Gonçalo’. Na época tinha uma música que não parava de tocar: ‘Para prefeito, nós queremos Jeremias!’ O apelido pegou”.

Não só pegou como lhe deixou em dificuldades em algumas situações, principalmente com as namoradas: “Muitas vezes, estava paquerando e passava alguém na rua me chamando pelo apelido. Até explicar que não tinha mentido o nome já havia perdido a namorada. Até hoje só me chamam de Jorge lá em casa.”

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