Rio - Pode ser até que tenha algum componente de estratégia ou de falsa humildade, mas os comentários de jornalistas e torcedores nos países dos nossos principais adversários dão conta de um clima de desânimo e de reconhecimento de um favoritismo ainda mais acentuado do Brasil. Entre os ‘hermanos’ persistem as críticas a Sabella pelo ‘engessamento da seleção’ que não mostrou novidade nos últimos tempos, continua sem um esquema defensivo confiável e tem o seu principal jogador em má fase e um tanto enigmático.
Na Alemanha, um certo entusiasmo que prosperou em 2013 está sendo sufocado pelas recentes e bisonhas atuações da seleção, pelo fracasso dos clubes na Liga e até pela ligeira queda do Bayern Munich. E, na Espanha, como a base ainda é a do Barcelona e o Atlético de Madrid é um fenômeno isolado, ninguém aposta uma peseta no bi. É curioso mas, na Holanda e, principalmente na Bélgica, é que há uma expectativa de excelente campanha. Mas, nas previsões, o Brasil está bombando.
ESQUISITO DEMAIS
Em boa parte dos jogos desse início de campeonato muitos times jogam em estádios longínquos, por pagar punições ou até por razões econômicas. O Flamengo, por exemplo, vai usar um mando de campo jogando no Morumbi! Fora a escolha bizarra dos estádios, que contemplam algumas arenas da Copa, há um desfile de camisas amarelas enfeitando times, como o Cruzeiro. Às vezes, parece haver uma inversão com o adversário. Tudo isso só esfria a paixão do torcedor.
OBJETIVO NOBRE
As atitudes de racismo na Europa não têm fim e quanto mais se multa e se pune, parece que aumenta o estímulo dessa gente desprezível. Mais uma vez, Balotelli foi vítima em um treino na Itália e só mesmo uma reação ainda mais radical poderá conter essa onda. Para a Copa, há uma campanha oportuna com o propósito de transformá-la em uma poderosa base de resistência. Se a nossa Copa obtiver êxito nessa luta pela paz e igualdade racial já terá obtido uma conquista importante.
NERVOSISMO NO AR
Há algumas semanas, a pergunta que mais se ouvia sobre a Copa era se o Brasil iria mesmo ganhá-la - como se houvesse sempre a necessidade de uma resposta positiva do interlocutor para confirmar o que parece tão provável. Mas, nos dias recentes, se questiona mais a própria realização da Copa sem sobressaltos, quebra-quebra ou qualquer outra manifestação raivosa. O clima está pesado mesmo mas, como vão chamar as Forças Armadas, não deve dar zebra.
UMA POBREZA
Se a Série A do Brasileiro já sofre de indigência técnica, o que dizer do que vem por baixo? Mas, pelo menos, o torcedor espera partidas movimentadas, com raça e quem sabe, muitos gols. Na Série B a coisa anda devagar, talvez até com menos intensidade do que na C e uma boa prova disso foi o jogo do Vasco em Teresina que só valeu pelo gol do estreante Biteco no fim e que livrou o Vasco da derrota. Não deverá ser tão difícil subir, mas o Vasco tem obrigação de jogar pelo menos um pouquinho de futebol.
O FLAMENGO QUIS SE GARANTIR MUITO CEDO
Tudo bem que faltou um pouco de sorte para o Flamengo ganhar o jogo contra o Bahia, mas querer garantir uma vantagem mínima antes da hora e com um gol solitário aos 10 minutos do primeiro tempo é arriscado demais. A partir da entrada de Amaral, o Flamengo mandou uma mensagem defensiva que nem a entrada posterior de Artur compensou. O resultado de 1 a 1 acabou sendo justo, premiou a insistência do Bahia, mas o gol de Talisca, de falta, nos acréscimos foi cruel e comprovou que, na Gávea, urubu está voando de costas.