Por pedro.logato

Rio - Pode ser até que tenha algum componente de estratégia ou de falsa humildade, mas os comentários de jornalistas e torcedores nos países dos nossos principais adversários dão conta de um clima de desânimo e de reconhecimento de um favoritismo ainda mais acentuado do Brasil. Entre os ‘hermanos’ persistem as críticas a Sabella pelo ‘engessamento da seleção’ que não mostrou novidade nos últimos tempos, continua sem um esquema defensivo confiável e tem o seu principal jogador em má fase e um tanto enigmático.

Na Alemanha, um certo entusiasmo que prosperou em 2013 está sendo sufocado pelas recentes e bisonhas atuações da seleção, pelo fracasso dos clubes na Liga e até pela ligeira queda do Bayern Munich. E, na Espanha, como a base ainda é a do Barcelona e o Atlético de Madrid é um fenômeno isolado, ninguém aposta uma peseta no bi. É curioso mas, na Holanda e, principalmente na Bélgica, é que há uma expectativa de excelente campanha. Mas, nas previsões, o Brasil está bombando.

Alemanha vive momento de contestação antes da Copa do MundoEfe

ESQUISITO DEMAIS

Em boa parte dos jogos desse início de campeonato muitos times jogam em estádios longínquos, por pagar punições ou até por razões econômicas. O Flamengo, por exemplo, vai usar um mando de campo jogando no Morumbi! Fora a escolha bizarra dos estádios, que contemplam algumas arenas da Copa, há um desfile de camisas amarelas enfeitando times, como o Cruzeiro. Às vezes, parece haver uma inversão com o adversário. Tudo isso só esfria a paixão do torcedor.

OBJETIVO NOBRE

As atitudes de racismo na Europa não têm fim e quanto mais se multa e se pune, parece que aumenta o estímulo dessa gente desprezível. Mais uma vez, Balotelli foi vítima em um treino na Itália e só mesmo uma reação ainda mais radical poderá conter essa onda. Para a Copa, há uma campanha oportuna com o propósito de transformá-la em uma poderosa base de resistência. Se a nossa Copa obtiver êxito nessa luta pela paz e igualdade racial já terá obtido uma conquista importante.

NERVOSISMO NO AR

Há algumas semanas, a pergunta que mais se ouvia sobre a Copa era se o Brasil iria mesmo ganhá-la - como se houvesse sempre a necessidade de uma resposta positiva do interlocutor para confirmar o que parece tão provável. Mas, nos dias recentes, se questiona mais a própria realização da Copa sem sobressaltos, quebra-quebra ou qualquer outra manifestação raivosa. O clima está pesado mesmo mas, como vão chamar as Forças Armadas, não deve dar zebra.

UMA POBREZA

Se a Série A do Brasileiro já sofre de indigência técnica, o que dizer do que vem por baixo? Mas, pelo menos, o torcedor espera partidas movimentadas, com raça e quem sabe, muitos gols. Na Série B a coisa anda devagar, talvez até com menos intensidade do que na C e uma boa prova disso foi o jogo do Vasco em Teresina que só valeu pelo gol do estreante Biteco no fim e que livrou o Vasco da derrota. Não deverá ser tão difícil subir, mas o Vasco tem obrigação de jogar pelo menos um pouquinho de futebol.

O FLAMENGO QUIS SE GARANTIR MUITO CEDO

Tudo bem que faltou um pouco de sorte para o Flamengo ganhar o jogo contra o Bahia, mas querer garantir uma vantagem mínima antes da hora e com um gol solitário aos 10 minutos do primeiro tempo é arriscado demais. A partir da entrada de Amaral, o Flamengo mandou uma mensagem defensiva que nem a entrada posterior de Artur compensou. O resultado de 1 a 1 acabou sendo justo, premiou a insistência do Bahia, mas o gol de Talisca, de falta, nos acréscimos foi cruel e comprovou que, na Gávea, urubu está voando de costas.

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