Por rafael.arantes

Rio - Nessa Copa, torcer pelo Brasil significa esperar muito, receber pouco, mas tudo acabar com a alegria da vitória e um ponto de interrogação sobre a verdadeira qualidade desse time. Foi uma classificação que parecia fácil em princípio, mas que se tornou dramática no segundo tempo, quando o meio-campo sumiu e as condições físicas pioraram. Finalmente, Felipão se convenceu de que era melhor apostar em Maicon e ele deu maior dinâmica de jogo, tanto na marcação como no ataque. O gol, logo aos 6 minutos, de Thiago Silva, parecia emblemático para um jogador que viveu uma semana polêmica.

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O Brasil foi sempre melhor na fase inicial, com atuações muito boas de David Luiz, Fernandinho e Oscar. Os atacantes, incluindo Neymar, é que estavam dispersivos. O jogo, aos poucos, mudou no segundo tempo, mesmo depois do segundo gol, na bela cobrança de falta de David Luiz. O Brasil cansou, recuou e foi sufoco o tempo todo. Esse time vence, mas não empolga e ainda não é tecnicamente confiável. É difícil saber até quando conseguirá superar os obstáculos com tantas oscilações e carências.

Brasil comemorou vitória no fim do jogoAndré Mourão

Prova de fogo

O Brasil vai conhecer o seu primeiro grande adversário na terça-feira, contra os alemães. A balança desequilibra sem Thiago Silva e sem a referência máxima, Neymar. Não que os alemães sejam espetaculares, porque também têm enfrentado sérias dificuldades para vencer. Mas são mais organizados e resistentes e contam não com um mas com vários jogadores decisivos. O Brasil ficou órfão sem Neymar e Felipão vai tentar um milagre com Willian.

Duas imagens

Os dois jogos decisivos deste sábado têm características bem diferentes: a Holanda, mesmo tendo rateado contra o México, é favorita contra a Costa Rica, que já mostrou algum desgaste contra a Grécia e dificilmente irá mais longe. Já em Brasília, não há favoritos e a Argentina depende demais de Messi e Di María para confirmar a sua condição de poderosa na Copa. Até aqui a Bélgica mostrou mais força de conjunto e velocidade e tem trunfos para vencer. Uma difícil previsão.

Deu a lógica

Alemanha x França foi um jogo cercado de tantas expectativas que acabou frustrando. O sol forte entre uma e três da tarde castigaria até os brasileiros, quanto mais europeus. O jogo foi excelente na primeira meia hora, quando havia fôlego. A Alemanha, então, prevaleceu com um belo jogo de conjunto, com destaque para Hummels, Schweinsteiger e Müller. Foi aí que tudo se decidiu, apesar do erro do árbitro Néstor Pitana ao não marcar um claro pênalti a favor da Alemanha.

Resistência

Na fase final da batalha, a França se exauriu em 20 minutos, quando até teve chances de empatar. A Alemanha passou a se defender e a apostar no contra-ataque mas faltava velocidade. Além disso, Özil teve mais uma atuação apagada e Müller se perdia em inútil individualismo, isolando Klose. Na parte final, os jogadores se arrastavam e restou apenas o chute final de Benzema que o excepcional Neuer espalmou em defesa magistral. No rescaldo, a Alemanha mereceu.

A perda de Neymar deixa o Brasil quase sem saída

Foi um lance quase comum, em que não parecia ter havido muita violência na joelhada nas costas de Neymar. Mas a partir da saída na maca, das caretas de dor e da dramática entrada no hospital, temia-se pelo pior. Afinal, Neymar nunca foi de exagerar em suas dores e raramente se lesiona. Ainda bem que não é nada grave, mas a Seleção ficou sem seu único craque. A situação é delicada para a hora da decisão. Mas como o futebol abre espaço para superação, tudo pode acontecer.

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