Por pedro.logato

Rio - Perder uma final de Copa para o Uruguai por 2 a 1 em um jogo duro, talvez traído pelo excesso de confiança na Copa de 50, é uma coisa. Sair de uma semifinal em outra Copa em casa levando a mais vergonhosa goleada de que se tem notícia na história dos Mundiais, outra. Tudo conspirou contra: a ridícula escalação de Felipão lançando Bernard de saída como se fosse enfrentar uma seleção qualquer e desprotegendo o meio campo; o peso da saída de Neymar que acabou pairando no Mineirão mais como um fantasma do que inspiração.

Os erros anteriores de Felipão se cristalizaram nesse jogo, resultando em um bando desarvorado em campo sem a menor noção de tática e estratégia. O outro lado da moeda era considerável: uma Alemanha concentrada, forte, traiçoeira, com todo o espaço do mundo para contra-atacar e surrar um time abobalhado e primário. Levar quatro gols em sete minutos é indesculpável para uma seleção com a história do Brasil jogando em casa. Ainda bem que a Alemanha teve pena do Brasil na fase final porque, caso contrário, chegaria a dez ou onze. A humilhação do Mineirazo vai ficar marcada na história a ferro e fogo.

Thiago Silva consola David Luiz após goleadaReuters

O GRANDE FAVORITO

A Alemanha foi facilitada pela pane na cabeça de Felipão, mas é muito forte desde a extraordinária condição técnica do melhor goleiro do mundo, Neuer, continua em um sistema defensivo bem montado, com a liderança de Schweinsteiger, e termina em um belo ataque com o grande e oportunista Müller. Ainda teve espaço para o brilho final de Klose, que carimbou a sua condição do maior artilheiro das Copas. Seja qual for o outro finalista, será o grande favorito.

HORA DA VERDADE

O vencedor da outra semifinal sairá de quem aproveitar melhor seus principais craques. Robben e Messi são os grandes trunfos — o argentino é melhor, mas Robben faz uma Copa superior. A Holanda, no entanto, espera que Van Persie repita o futebol da estreia e que Sneijder apareça. A Argentina parece ter arrumado a defesa, o que é um belo avanço, mas, sem Di María,aumenta a solidão de Messi, que precisará de Higuaín bem e, quem sabe, de Agüero. Imprevisível.

O TROCO

Não deixa de ser uma ironia a ação competente da polícia brasileira sobre a máfia dos ingressos, que agiu impunemente em outras Copas. Ainda mais porque havia gente graúda da Fifa envolvida com empresas que revendiam os ingressos. A prisão do ‘cabeça’ Raymond Whelan vai descobrir um véu de negócios ilícitos. Quem diria, riu melhor quem riu por último.Aquele pontapé no traseiro de Valcke acabou em uma surpreendente resposta aos falsos moralistas.

O GÊNIO

A morte de Di Stefano deveria merecer um espaço maior na mídia brasileira, pois muitos o consideram o maior jogador de todos os tempos ou, pelo menos, comparável a Pelé. Mesmo que ele tenha ficado um degrau abaixo foi um gigante porque sabia tudo de bola, individual e coletivamente. Era também um líder, uma figura carismática que fazia do futebol arte em estado puro.Fora dos campos, continuou um craque em outras áreas. Um fenômeno.

UM POUCO DE NOSTALGIA E TAMBÉM DE RESSENTIMENTO

É muito desagradável quando alguns craques do passado só criticam, por tudo e por nada, o futebol de hoje e os seus jogadores. Paulo César Caju acha que no seu tempo era uma maravilha e que está tudo pior hoje. Ele se esquece, entre muitas outras coisas, de não ter se esforçado na Copa de 74 porque queria se preservar para o futebol francês, que, então, o contratava. Essa semana, Cruyff, se não chegou a ser saudosista, também desqualificou um tipo de futebol de mais marcação e força. Quem sabe o resultado de ontem não deixou essa equação mais equilibrada porque a Alemanha, ontem, foi o perfeito exemplo de habilidade, leveza e força de marcação.

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