Rio - Deixando de lado a frustração pela ausência brasileira, é preciso reconhecer os inegáveis méritos dos dois finalistas, que foram evoluindo na competição e tiveram o bom senso de fazer alterações nos times de acordo com as circunstâncias.
A Argentina, como se previa, chegou com uma defesa vulnerável e houve até uma discordância pública entre Sabella e Messi. Tudo acabou se acertando quando o treinador colocou Demichelis na zaga e Biglia no meio-campo, tornando o sistema de marcação forte. A Alemanha testou diferentes formações, Lahm chegou a jogar no meio campo, depois voltou à lateral, e Löw acabou, acertadamente, fixando o meio-campo com Schweinsteiger, Khedira, Kroos e Özil.
As duas seleções foram vencendo com diferenças pequenas no marcador, mas sempre de forma guerreira e consistente. Hoje, a Alemanha é favorita porque tem mais conjunto e força física. A Argentina, com Di María a meia bomba, vai depender mais da velha garra portenha e do gênio de Messi.
HORA DE MUDAR
O novo fiasco da Seleção só confirmou a urgente necessidade de uma mudança profunda. Claro que ela passa pela mudança de nomes, mas isso seria só uma parte imediata da transformação. Vamos olhar com mais cuidado com o que se passa lá fora, exigindo mais compromisso dos jogadores e menos arrogância dos treinadores para que os garotos voltem ao nosso estilo de habilidade e criatividade. Por cima de tudo isso, o mais difícil: dirigentes competentes e éticos.
E, AGORA, FELIPÃO?
Em uma partida irregular, que terminou na maior vaia recebida pela Seleção em décadas, o Brasil levou outra escovada, pagando variados micos: sofreu de novos gols de saída, não teve esquema para marcar Robben, não respondeu à altura o surpreendente apoio inicial da torcida e saiu de campo com a defesa mais vazada da Copa. O time até lutou na fase final, salvando-se o esforço de Oscar, mas o time continua um bando e Felipão, sem Neymar, não sabe o que fazer.
A INVASÃO
Em um Brasileiro dos anos 70, a torcida corintiana invadiu o Rio com umas 50 mil pessoas, um movimento inédito, até hoje imbatível em nível dos clubes.Agora, os argentinos repetem a dose em dobro. Quase 100 mil pessoas, a maioria chegando motorizada, é incrível, jamais visto nem mesmo na Europa. Se fosse o contrário, dificilmente os brasileiros viajariam em massa por terra. A maioria está sem ingresso e sem hospedagem e isso torna tudo mais impressionante.
O DIAGNÓSTICO
A presidenta Dilma Rousseff deu uma entrevista à Globonews e o ponto de destaque foi sua euforia com o inegável êxito na Copa, sem problemas de segurança e transporte. Ela fez conclamações contra o pessimismo e lembrou que serão necessárias reformas na estrutura esportiva. Isso é certo, só que o diagnóstico sempre se repete em tempos de fiasco, mas, na prática, nada acontece. Os clubes continuam deficitários e as federações, imutáveis. Vai mudar agora?
HUMILDADE PODE SER UMA PALAVRA-CHAVE
À exceção da comissão técnica do Brasil, quase todo o mundo lembrou a necessidade de se cultivar mais humildade nos próximos tempos da Seleção. Até Neymar falou um pouco disso e a observação começa no terreno tático porque o Brasil não pode jogar sem cautela contra qualquer adversário. Mas a humildade precisa também se estender à mídia, à publicidade e ao torcedor comum, sem a arrogância de que o futebol é nosso terreno exclusivo e não tem pra ninguém. Não é bem assim.