Troca de nomes não adianta muito

Antes de um novo treinador, a filosofia brasileira deve mudar

Por O Dia

Rio - Talvez para afastar o estigma do atraso e dar ares de modernidade aos novos tempos, a CBF vai anunciar hoje o novo coordenador técnico e, a seguir, o nome do treinador. Até a nomenclatura pode ficar sofisticada, como se estivéssemos em uma grande e organizada empresa.

O coordenador deve ser o novo CEO da Seleção, mas ele não faz gol e não entra em campo. Fala-se de Leonardo pela boa experiência no futebol italiano como um cartola jovem e elegante. O pessoal da CBF sugere que o perfil do novo treinador deve ser o de um profissional em ação no exterior. Quer dizer, uma meia-sola porque namora-se o que se passa lá fora, mas com medo de trazer alguém que não seja brasileiro.

Se existe um nome de bom nível, que poderá mudar as coisas, é Cuca, um renovador tático. Ainda assim, Tite continua como favorito. A crise fez vítimas ilustres e, talvez inocentes, como o médico José Luiz Runco. Mas foi o preço do fiasco. Pena que a simples troca de nomes não resolva os problemas, mas, sim, novas ideias e uma estrutura ágil e moderna.

Runco deixou a comissão da CBFDivulgação

DEPRIMENTE

Depois de uma parada de 45 dias, o Botafogo reapareceu sem condição física, sem ânimo e sem futebol.Raramente ameaçou o gol do Sport, não mostrou nenhuma criatividade, nem força, e ainda levou um gol bonito, mas de pelada, do meio do campo, em falha de Andrey. O time só não perdeu de mais pela mediocridade do adversário. Nem Sheik se salvou e Carlos Alberto pareceu um ex-jogador. Esse Botafogo que não paga a ninguém é forte candidato ao rebaixamento.

O MAESTRO

O merecido destaque do colombiano James Rodríguez na Copa não teve a ver apenas com um jogador talentoso, relativamente pouco conhecido, muito jovem e que se tornou artilheiro atuando apenas cinco vezes. Teve a ver com a sua facilidade de liderar taticamente um time por sua visão de jogo, de passar e fazer lançamentos longos, além de não precisar correr muito para colocar a bola onde bem entende. Enfim, o perfil de jogador que parece não existir mais.

FESTA ALEMÃ

A história do politicamente correto é chata e gozações entre torcedores e até entre jogadores fazem parte da diversão que também é o futebol. Os alemães não passaram do limite no sarrinho sobre os brasileiros com as mãos dadas. Mas exageraram na dose ao imitar os argentinos, abaixados, derrotados e, depois, levantando-se como dominantes. Pareceu aquele velho complexo de superioridade racial, e, especialmente a Alemanha, precisa tomar cuidado com isso.

BOM RETORNO

O Vasco até surpreendeu a sua torcida com uma boa atuação na goleada sobre o Santa Cruz. Saiu aquela pasmaceira do período pré-Copa e entrou um time mais bem composto, entrosado e jogando com postura ofensiva. Kléber estreou bem e promete algumas alegrias à torcida e Fabrício foi um evidente destaque. Mas claro que o Santa Cruz é um adversário muito ingênuo. Se não perder a passada, o Vasco vai se recuperar e voltará à Série A sem problemas.

SAI O PADRÃO FIFA, ENTRA O PADRÃO BAGUNÇA

Pelo que se viu em Cuiabá, o pessoal que administra as novas arenas parece estar fazendo força para não apenas torná-las feias, mas também pouco práticas, com acesso ruim e serviços lamentáveis. A própria decoração bonita e colorida da Fifa foi retirada sem cuidado, sem qualquer recomposição. Espera-se que tenham um mínimo de respeito com as demais arenas, sem esquecer o nosso querido Maracanã, e que nada volte a ficar ruim e atrasado. Por favor, senhores, respeito ao futebol brasileiro e ao torcedor!

Últimas de Esporte